Agosto é o mês do folclore brasileiro. O folclore traduz as manifestações de caráter popular de um povo, transmitidas de uma geração para outra através de práticas que se tornam senso comum, de crenças e mitos. Os pais ensinam aos filhos que desde pequeninos já o praticam. É o folclore passado de geração em geração. Os políticos desafiam a inteligência de seus correligionários que, desde “pequeninos” já o praticam, na maioria das vezes, sem maiores reflexões ou autocrítica. É o folclore político que muitas vezes ultrapassa as barreiras do ridículo. As empresas e gerentes ensinam para seus liderados que, desde novatos, já o praticam assumindo a cultura daquela organização. É o folclore empresarial.
O termo folk-lore foi empregado pela primeira vez em 22 de agosto de 1846. Por isso, fica agosto consagrado ao folclore. Folk-lore, por ser formado de termos de duas línguas diferentes, leva a equívocos. Folk quer dizer povo; lore, o saber, o conhecimento, o costume. Pode-se afirmar: Folclore é o saber vulgar do povo. Não transmitido através de escolas e nem de livros e sim por imitação ou por força de tanto ver e ouvir. Para ser determinado como fato inteiramente folclórico deve ser transmitido oralmente, de boca em boca, e não por meios eletromecânicos, como rádio, disco e livro; deve ser social, praticado por muitos e não por uma só pessoa; deve ser espontâneo, livre; deve ser anônimo, não se conhece, pelo menos oficialmente, o autor de superstição, de uma dança popular, de um provérbio ou crendice.
Bumba meu boi, dança de São Gonçalo, Congo, Catira, Cururu, Capoeira & Maculelê, Quadrilha Junina, Afoxé, Calango, Carimbo, Xaxado, Maracatu e Boi Bumba, são exemplos de danças que animam o nosso folclore regional pelo Brasil afora; mas também existem as cantigas, lendas, culinária, medicina popular, superstições, simpatias, amuletos e outras manifestações folclóricas.
Do cangaço, de Lampião e Padre Cícero, a um mito político, empresarial ou religioso que resolva todos os problemas da nação, da cidade, da empresa ou da comunidade, o folclore trilha, muitas vezes, o caminho da desinformação e da manipulação, quando não produz a alienação e o conformismo.
Para finalizar, em tempos de folclore político - onde candidatos e realidade se maquiam para seduzir os cidadãos a acreditar em um futuro melhor - lembro aqui o folclore do Boto que vira um rapaz bonito ou Ipupiara. Esta lenda, muito conhecida na região Norte do Brasil, consiste num encantamento que os botos possuem que, nas primeiras horas da noite, principalmente em dias de Festas,os botos se transformam em rapazes altos, fortes, muito bonitos e bem vestidos, sempre à procura de festas e de muita mulher bonita para namorar. Chegando na festa, eles dançam, bebem, paqueram, se comportam como um rapaz normal e, antes do dia nascer, eles retornam para os rios, pois o seu encantamento só dura à noite, voltam a ser botos novamente.
O autor, Pedro Antonio Domingues, é professor dos cursos de turismo e hotelaria da Universidade São Francisco.