Depois do asilo da Vila Vicentina e do abrigo da Sociedade Beneficente Cristã, Bauru conta com uma nova entidade assistencial para atender aos idosos: a Casa Lar da Associação Padre Pio de Assistência ao Idoso (Appi).
A unidade, localizada na Vila Alto Paraíso, está funcionando há cerca de um ano com capacidade para assistir oito residentes do sexo masculino. Atualmente a unidade conta com quatro idosos, que são atendidos de forma gratuita, e está em processo de regularização junto à Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes).
Ligada à Paróquia São Benedito, a Casa Lar é uma residência destinada a idosos que estão afastados do convívio familiar e sem renda suficiente para sua sobrevivência.
“A Casa Lar não é um asilo, um abrigo. A proposta dela não é a quantidade de idosos atendidos, mas a qualidade do atendimento”, explica a coordenadora do espaço, a assistente social Adriana Matheus Guerreira.
O local, que em tudo lembra uma residência de família, conta com três quartos, uma sala, cozinha, três banheiros, área de serviços e uma horta, que é mantida por um dos idosos. Na residência, os residentes são assistidos com moradia, alimentação, atividades de lazer e serviços de saúde.
Parte da renda da Casa Lar provém do dízimo arrecadado pela Igreja São Benedito. Idealizado pelo padre Carlos Antonio Pessoa, o espaço também sobrevive por meio de doações da comunidade e trabalho de voluntários.
A entidade sem fins lucrativos recebe apenas idosos com idade acima de 60 anos. Não são aceitos residentes com problemas de saúde graves e que não consigam locomover-se sozinhos. Isso porque, segundo a coordenadora, a entidade ainda não tem estrutura e recursos humanos para atender esses casos.
Além de tentar oferecer aos idosos um espaço que se aproxime de um ambiente familiar, a Casa Lar também tem como proposta estimular a participação dos residentes em programas que os insiram no convívio social, como por exemplo em atividades de lazer desenvolvidas fora do espaço da residência.
Idoso procura filha
O idoso Benedito José de Souza (que não se recorda da idade) vive na Casa Lar há cerca de um mês alimentando um único desejo: reencontrar a filha.
Benedito foi encaminhado ao local pelo Albergue Noturno. Ele não possui documentos e também não se recorda de detalhes de seu passado. “Ele não se lembra de muita coisa. Mas desde que ele veio para cá, está insistindo em encontrar a filha”, afirma a assistente social Adriana.
O idoso afirma que se separou da filha quando ela ainda era criança e que depois disso a reencontrou poucas vezes. “Eu quero encontrar com ela. Para saber se ela está bem”, diz Benedito, que é natural de Guaimbê.
Em Bauru, o idoso teria sobrevivido por vários anos sem moradia fixa. O último local em que ele residiu, segundo levantamento da Casa Lar, foi nas imediações do Jardim Ferraz.
Benedito confessa que tem intenções de morar com a filha e recuperar o vínculo familiar. “Ela é a única pessoa do meu sangue que eu tenho na vida. A minha maior vontade é reencontrá-la”, diz. “Talvez eles (filha e genro) possam ter um cômodo a mais e ceder para mim”, completa.
Segundo Benedito, sua filha se chama Eliana Cristina de Souza. O idoso não soube avaliar qual seria a idade dela hoje.
Quem tiver informações sobre o paradeiro de Eliana pode entrar em contato com a Casa Lar.
• Serviço
O telefone da Casa Lar para informações ou doações é o (14) 3238-8368. Os interessados em atuar como voluntários no local podem entrar em contato pelo mesmo telefone. A entidade fica na rua Matilde Fraga Moreira de Almeida, 2-51, Alto Paraíso.