Política

Para bispos, campanha é 'marco histórico'

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

A “Campanha pela Conscientização Político-Eleitoral 2004”, lançada ontem pela manhã em Bauru, vai abranger 321 paróquias pertencentes a sub-região pastoral de Botucatu. De acordo com o bispo coadjutor de Assis, Maurício Grotto de Camargo, a estimativa é de que a mobilização, que defende a ética na política e o voto consciente nas próximas eleições, atinja pelo menos 2 milhões de pessoas.

O bispo considera a campanha um “marco histórico”. Isso porque, segundo ele, é a primeira vez que as oito dioceses da regional de Botucatu, que englobam as macrorregiões de Botucatu, Bauru, Assis, Araçatuba, Presidente Prudente, Ourinhos, Marília e Lins, mobilizam-se para realizar uma campanha unificada, voltada para a orientação da sociedade sobre a importância da participação no processo político-eleitoral. Nos anos anteriores, cada diocese definia a forma de promover essa discussão localmente.

“É a primeira vez que nós vamos fazer um trabalho em conjunto. Antes, cada diocese fazia o seu próprio trabalho e agora nós percebemos que unindo as forças o resultado é melhor”, diz o bispo, destacando o poder de impacto e abrangência da mobilização em nível regional.

Também o bispo de Bauru, dom Luiz Antônio Guedes, considera a campanha conjunta pelo voto consciente um marco dentro das ações da Igreja Católica na região. “É a primeira vez que nós, como sub-região, vamos desenvolver um trabalho numa mesma direção”, comemora.

Guedes afirma que o envolvimento das lideranças das paróquias, como os padres e agentes pastorais, é decisivo para o sucesso da iniciativa. “Nós queremos que o maior número de pessoas sejam atingidas”, afirma.

De acordo com Carlos César de Souza, diretor do Instituto Teológico de Lins, a expectativa é de que o trabalho de conscientização tenha grande ressonância entre a comunidade.

“O desenvolvimento conjunto de um material comum pelas oito dioceses está dentro dessa preocupação de que a igreja precisa dar uma resposta para os candidatos corruptos e para a sociedade, que realmente precisa eleger pessoas comprometidas com as dificuldades do povo, com as necessidades, com tudo aquilo que a população realmente precisa”, defende.

A campanha será divulgada por meio de cartazes, jingles em rádios e informes de televisão. Além disso, foram rodados cerca de 500 mil exemplares de um jornal intitulado “Voto não tem preço, tem consequências”, que começará a ser distribuído nas cidades. O jornal, entre outras coisas, destaca a importância do eleitor conhecer bem o seu candidato; apresenta os dez mandamentos do eleitor cristão; aponta as práticas mais comuns de compra de votos e aponta formas de denúncia contra corrupção eleitoral.

O lançamento oficial da campanha ocorreu ontem e reuniu cerca de 150 pessoas no teatro do Colégio São Francisco de Assis, entre representantes políticos, candidatos a prefeito e a vereador, representantes da igreja e populares.

Segundo o bispo Camargo, nas últimas décadas no Brasil a Igreja Católica tem participado ativamente de movimentos de conscientização política.

“Esse trabalho se acentuou mesmo a partir do Concílio Vaticano II, concluído em 1965”, diz. “Desde então, a Igreja, sem descuidar do aspecto mais litúrgico e espiritual, se lançou nesse trabalho pela construção de um mundo mais justo e fraterno”, afirma.

Um exemplo recente de engajamento da Igreja Católica no processo político, segundo o bispo, ocorreu no ano 2000, com a aprovação da Lei 9.840, de combate à corrupção eleitoral. Camargo afirma que, na ocasião, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), coletou milhares de assinaturas para apresentação da emenda popular, que foi aprovada pelo Congresso Nacional.

Para Camargo, a conscientização da sociedade em relação às questões políticas vem progredindo gradativamente. “É um processo lento, porque o Brasil é muito grande e possui realidades diferentes de uma região para a outra. Mas inclusive a eleição do Lula para presidência é um forte sinal dessa evidência de que a população vem crescendo tanto em participação quanto em consciência crítica”, opina.

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