Botucatu - A Secretaria Municipal de Saúde, por meio da equipe de Controle de Zoonoses, registrou, na semana passada, o primeiro caso de leishmaniose visceral canina em Botucatu (100 quilômetros a sudeste de Bauru). O portador era um cachorro pastor alemão que chegou à cidade há cerca de seis meses, vindo de Penápolis, segundo informou a assessoria de imprensa do município.
A suspeita do caso foi levantada por um médico veterinário particular, que sabendo da importância da notificação dessa doença, encaminhou o animal à equipe de Controle de Zoonoses. O cachorro foi submetido a exames laboratoriais realizados pelo Instituto Adolfo Lutz de Sorocaba, que confirmou a doença.
Depois desse procedimento, o animal foi sacrificado, com anuência do proprietário.
Segundo o médico veterinário Jonas Brant, responsável pela equipe de Controle de Zoonoses, todos os cuidados que o caso requer foram tomados. “Nós tomamos todos os cuidados iniciais e também todas as medidas para que essa doença não se instale no município”, informou.
“É bom destacarmos que foi um caso de um animal procedente de outra cidade que já estava contaminado”, fez questão de ressaltar.
O inseto transmissor da leishmaniose visceral é o mosquito Lutzomyia longipalpis, conhecido também como mosquito palha. De acordo com o médico veterinário, esse mosquito ainda não existe em Botucatu e a equipe de controle estaria tomando todas as medidas preventivas para evitar a sua chegada.
Segundo ele, a infestação acontece normalmente a partir de outubro. A equipe deve aproveitar a vacinação anti-rábica, prevista para o mês que vêm, para coletar sangue de alguns animais e fazer os exames de detecção da doença.
Em outubro, o Controle de Zoonoses estará realizando uma pesquisa entomológica. Segundo Brant, serão colocadas armadilhas em diversos locais da cidade, com objetivo de capturar o inseto (mosquito palha) e monitorar a sua entrada no município.
Para o médico, a colaboração da população, nesse momento, é essencial. “Ela pode ajudar fazendo a limpeza freqüente dos quintais e terrenos, evitando o acúmulo de matéria orgânica, como frutas e fezes de animais e embalar o lixo corretamente”, orienta.
“Outra maneira é ajudando no controle da população canina, castrando os animais e evitando que os mesmos saiam às ruas”, comentou Brant.
Em humanos, a leishmaniose tem cura se diagnosticada no início da contaminação. Mas, nos animais, a doença geralmente é fatal. No Brasil, os principais “hospedeiros” da doença são o cão e a raposa.
A transmissão acontece quando o mosquito palha ou birigui pica o animal contaminado e depois o sadio. Alguns dos principais sintomas da doença em cães são feridas no focinho, orelhas e patas.