Política

Caio, Tuga e Valle abrem plano de ação

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 6 min

Na segunda etapa de discussão sobre o futuro da cidade ao longo dos próximos 10 anos, os candidatos Luiz Carlos Valle (PSB), Tuga Angerami (PDT) e Caio Coube (PSDB) começaram a expor mais explicitamente algumas das ações que estão sendo propostas para a gestão municipal. A candidata do PCO, Maria Cristina Romão, foi a única a não comparecer ao debate do projeto Bauru + 10, realizado no auditório da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e encerrado na quinta-feira à noite, no câmpus local.

A exemplo do dia anterior, quando os quatro primeiros convidados falaram, em sorteio, por 20 minutos cada, o evento teve início com a breve exposição dos objetivos do projeto - criar uma visão compartilhada sobre Bauru para o futuro da cidade, apresentando diagnósticos e estratégias de ação para serem implementadas.

O primeiro a falar, Luiz Carlos Valle (PSB), lembrou de sua experiência como engenheiro e a carreira como vereador por 16 anos. “Esta experiência me deixa seguro para administrar a cidade, o que exige capacidade de execução técnica e política”, citou. Ele contou que o plano de governo de sua aliança (Honestidade, trabalho e prosperidade) já foi elaborado, mas que o grupo continua discutindo propostas.

Valle teceu comentários sobre infra-estrutura e meio ambiente. “A questão dos resíduos sólidos precisa ser aprofundada. É um mito que o tratamento de esgoto custa R$ 60 milhões. Como se chegou a esse valor? Levantamos que uma estação de esgoto com capacidade para Bauru custaria R$ 30 milhões. A rede coletora já está sendo instalada”, mencionou.

O candidato adiantou que vai recorrer ao Judiciário contra decisões que imponham prazo para realizações. “Vamos recorrer de decisões desse tipo, porque o esgoto é importante mas não se pode impor uma prioridade”, afirmou. O atual governo firmou um termo de acordo com o Ministério Público (MP) para realizar o tratamento de esgoto em quatro anos e não cumpriu.

Para Valle, é preciso redefinir o que deve ser feito primeiro. “Bauru desperdiça 40% da água captada. Então a prioridade nessa área não é sair perfurando poço, mas recuperar essa rede, reduzir perdas”, exemplificou.

Para o candidato, outra prioridade em infra-estrutura é a duplicação da rodovia Bauru-Iacanga no trecho até o aeroporto. “É uma prioridade de ação política. Precisamos ir aonde for preciso para buscar a verba para essa obra”, defendeu. Ele também apontou a deterioração dos trilhos ferroviários urbanos. “Vamos fazer gestão junto ao governo federal para colocar dormente de concreto pelo menos no trecho urbano. É uma prioridade de logística para a cidade”, elencou.

Obra aberta

Tuga Angerami (PDT) disse que o plano de governo de sua aliança (Juntos por Bauru) é uma obra aberta. “Estamos debatendo com a comunidade e o projeto Bauru +10 integrou o documento inicial junto com outras propostas feitas por fóruns, conferências e movimentos populares”, citou.

O candidato também iniciou sua fala descrevendo seu currículo de professor universitário, ex-prefeito e deputado federal por duas gestões. “O importante a destacar é que a cidade está mobilizada para a discussão de seus problemas e ainda há a revisão do Plano Diretor em andamento”, mencionou.

Para o prefeitável, há uma tendência pela repetição de aspectos negativos da cidade, mas existem bons projetos em acontecendo. “O bauruense está discutindo, quer influir e não está passivo e isso é bom. Coloco aqui a necessidade de um pacto para a implementação dessas mudanças, com todos”, defendeu.

Um dos pontos citados por Tuga é a modernização da máquina administrativa. “Não dá mais para organizar processos e atender o cidadão com fichinhas. A informatização é desafio. Também precisamos racionalizar despesas. Sem essas medidas, o plano aqui discutido não sai do papel”, abordou.

Para Tuga Angerami, também será preciso readequar as finanças municipais. “Em 1983, quando fui prefeito, a situação também era difícil. A prefeitura precisa aprender a arrecadar bem o que há para receber e não dá para admitir uma dívida ativa acumulada de R$ 80 milhões”, pontuou.

O candidato do PDT também defendeu a rediscussão do indexador que corrige a dívida federalizada, de cerca de R$ 70 milhões. “O IGPD-I é absurdo. A prefeitura paga só os juros e a dívida aumenta mês a mês. Vamos integrar o movimento para rediscutir esses contratos com o governo”, discursou.

Em relação às demais dívidas, não federalizadas, Angerami defendeu a análise dos valores e o alongamento dos prazos de pagamento. Outra proposta de redução das despesas da máquina é realizar com mão-de-obra própria serviços terceirizados. “Vários setores da prefeitura dispõem de técnicos e profissionais, mas se gasta com a execução terceirizada. Precisamos economizar”, falou Tuga.

Angerami também quer inventariar os imóveis municipais e levantar recursos com a venda de terrenos onde não estejam previstas as instalações institucionais (creches, escolas) e de área verde. “Propomos constituir um fundo de pavimentação com a venda de parte desses imóveis. Muitos a prefeitura nem sabe que são do município”, sinalizou.

Diretrizes e metas

Na opinião de Caio Coube (PSDB), o último candidato a falar por 20 minutos, o projeto Bauru + 10 é uma reflexão abrangente sobre a cidade. “É um plano de diretrizes e metas, inserido no contexto do planejamento estratégico”, descreveu.

O candidato defendeu a valorização da cidade, das pessoas, instituições e entidades. “Precisamos agir para resgatar a imagem de Bauru. E também valorizar resultados positivos. Bauru foi situada como a 45ª cidade no ranking que incluiu avaliação de educação, economia, capital e trabalho. Estamos à frente de 11 capitais de estado”, lembrou.

Caio disse que está ouvindo a comunidade durante o processo eleitoral. “Aproveitamos a campanha para uma reflexão de nossas propostas”, reforçou. Entre os pontos básicos do plano da aliança “Muda Bauru”, Coube mencionou o desenvolvimento econômico. “São ações em diversas áreas, como dotar os distritos industriais de infra-estrutura capaz de atrair investimentos. Precisamos fazer a lição de casa. Também vamos aproveitar o potencial das universidades”, elencou.

Na área de desenvolvimento social, a infra-estrutura é prioridade para Caio. “O prefeito terá de enfrentar essa desafio para que os serviços básicos como asfalto, galeria e a eliminação de favelas seja iniciada. Propomos concluir casas para substituir as favelas em parceria com o Estado (CDHU). O acesso é facilitado com mensalidades baixas”, contou.

Em sua avaliação, as vagas para creches podem ser ampliadas através de uma adaptação. “Nossa proposta é aproveitar a estrutura física das escolas municipais e adaptar berçários onde for possível. Queremos criar o programa de férias escolares, eliminar ociosidade”, descreveu.

Caio considera que sua aliança terá bons projetos na área de saúde, em função da presença do médico Fernando Monti (PL) como candidato a vice-prefeito na chapa.

Ele também falou sobre o desenvolvimento ambiental, que inclui a conclusão do tratamento de esgoto e a instalação de um incinerador para lixo hospitalar. “No tratamento de esgoto, parte dos investimentos devem sair do próprio Departamento de Água e Esgoto (DAE)”, defendeu.

Caio propõe massificar as atividades de esporte, cultura e lazer.

Coube encerrou seu pronunciamento apontando como idéia sonhadora a instalação do Parque Água Comprida. “Precisamos sonhar com esses parques como símbolo dessa vontade de levantar a auto-estima da cidade. Nossa proposta inclui esse sonho de criar um novo cartão postal para Bauru em uma área de 250 mil metros quadrados na região do Sambódromo”, finalizou.

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