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Médicos da AHB estagiam na França

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Um convênio firmado entre a equipe de neurocirurgiões da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) e o médico do Centro Hospitalar Universitário de Bicêtre, Fabrice Parker, está viabilizando o treinamento de profissionais brasileiros em Paris, na França.

Parker, que é neurocirugião e professor da Universidade Paris-Sud, esteve em Bauru nesta semana para oficializar a parceria e acompanhar o trabalho que vem sendo desenvolvido pela equipe da cidade.

O treinamento funciona como um estágio de complementação de residência em neurocirurgia. Em 2003, o médico do Hospital de Base (HB) Mateus Violin da Silva participou do intercâmbio pelo período de um ano. Atualmente, o neurocirurgião Luiz Gustavo Duarte está realizando o estágio.

“A neurocirurgia é uma especialidade muito complexa, muito difícil, e não tem outra forma de melhorar o profissional senão por meio de intercâmbio. O intuito do intercâmbio, portanto, é capacitar o profissional”, diz Parker.

O neurocirurgião do HB Adriano Yacubian Fernandes destaca que o programa está aberto a candidatos de qualquer região e inclui um ano de treinamento na rede hospitalar de Bauru e igual período na França.

“É uma oportunidade única de oferecermos aos especialistas que terminaram recentemente a residência mais dois anos de especialização”, diz o neurocirurgião. Ele destaca que futuramente a intenção é de que também os médicos franceses conheçam as rotinas de atendimento dos hospitais locais.

Segundo ele, o estágio de um ano em Bauru é subsidiado pela AHB com o apoio do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofacias, o Centrinho. Já na França, os brasileiros terão bolsa de estudo da Universidade Paris-Sud.

O convênio reserva uma vaga por ano a um profissional indicado pela equipe de neurocirurgiões de Bauru. Inicialmente, o intercâmbio está sendo realizado apenas para treinamento. Entretanto, segundo o neurocirurgião Régis Antônio Coelho, o objetivo é que o programa se expanda e inclua também a área de ensino e pesquisa. “Eventualmente, pensamos num intercâmbio até de tecnologia e equipamentos”, diz.

Na França, segundo Parker, a neurocirurgia é uma especialidade priorizada pelo sistema de saúde pública, ou seja, é um serviço de referência.

“Eles estão muito avançados na organização do atendimento ao público em geral, desde a urgência até os casos eletivos”, diz Fernandes, destacando que o País oferece estágio para especialistas em neurocirurgia de todo o mundo.

Em sua passagem por Bauru, Parker afirma que foi surpreendido positivamente pela capacitação humana, clínica, técnica e operatória dos cirurgiões locais. “Só foi possível firmar esse convênio porque eu tive a oportunidade de vir ao Brasil, conhecer a equipe de neurocirurgia de Bauru e ver a qualidade do serviço que é feito aqui”, destaca.

Entretanto, o especialista observou que ainda há carência de infra-estrutura e necessidade de melhoria da qualidade de equipamentos e recursos técnicos na área.

Cirurgias

Atualmente, o Hospital de Base (HB) realiza cerca de 20 neurocirurgias ao mês pelo Sistema Único de Saúde (SUS), entre elas de aneurisma cerebral, tumor cerebral e traumas de crânio. O hospital é o único da cidade a realizar esse tipo de procedimento pela rede pública de saúde.

Segundo Coelho, os hospitais que oferecem o serviço de neurocirurgia no Brasil estão classificados em três níveis pelo Ministério da Saúde, a partir de seus recursos técnicos, humanos e físicos. Quando uma equipe atinge o nível 3, ela está habilitada a realizar qualquer procedimento neurocirúrgico, desde os mais simples até os de alta complexidade.

Dentro desse critério de classificação, a equipe do HB está no nível 2. Para poder realizar todos os tipos de cirurgias, segundo Coelho, ainda falta ao hospital recursos técnicos.

“Nós já temos os recursos humanos, físicos, mas ainda faltam alguns equipamentos”, diz. Segundo ele, para aparelhar o hospital adequadamente seria necessário investimentos iniciais de R$ 600 mil.

A equipe de neurocirurgia da AHB é formada pelos médicos Régis Antônio Coelho, Luiz Gustavo Ducate, Adriano Yacubian Fernandes, Mateus Violin da Silva e Paulo Roberto Laronga.

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