Tribuna do Leitor

Destino das medalhas


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No dia 13 de agosto começaram em Atenas, berço da civilização moderna, os Jogos Olímpicos. A primeira Olimpíada do século 21 repetirá, com certeza, o sucesso dos primeiros Jogos Olímpicos da humanidade realizados na Grécia. Enquanto isso, aqui no Brasil, continuaremos a pagar impostos abusivos, juros indecentes no cheque especial e não conseguiremos subir ao pódio da dignidade e da justiça. O salário é mínimo, a inflação é pequena, dócil e controlada, mas os juros bancários são maiores que uma maratona, mais pesados para o bolso dos assalariados que um halter de 250 kg. Mas, mesmo assim, nossos governantes continuarão fingindo que nada está errado e continuarão jogando o jogo dos poderosos, dos especuladores e do juiz supremo que se chama FMI. Os banqueiros nadam de braçada na economia brasileira, fazendo os quatro estilos com absoluta tranqüilidade. Os estilos são os seguintes:

1 - Estilo dissimulado, onde a inflação é de 8,45% ao ano e o juro do cheque especial beira os 150% ao ano.

2 – Estilo de costas. Eles ficam de costas para a sociedade brasileira e ainda investem os lucros exorbitantes longe do nosso País.

3 – Estilo Robin Hood, onde o banqueiro nadador tira o dinheiro do povão e o repassa para as elites burguesas, tornando-as cada vez mais ricas. É um estilo também conhecido como revezamento entre elites.

4 – Estilo livre. É aquele que o banqueiro mais aprecia, pois é o resultado de uma Constituição que o privilegia sempre em detrimento do restante da sociedade. Nos últimos anos, demitiu-se milhares de trabalhadores da rede bancária sob o argumento do avanço da tecnologia, mas suas agências vivem lotadas e o atendimento só perde para o INSS.

Nenhum segmento da economia mundial faturou tanto nos últimos trinta anos quanto o setor bancário brasileiro. Ninguém, jamais, obteve lucros tão expressivos, principalmente se considerarmos que somos um modesto País de terceiro mundo que sonha com uma medalha de ouro no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), mas jamais passou do 54.º lugar, e tem analfabetismo ao invés de atletismo. Possui mortalidade infantil ao invés de campeões juvenis. Enquanto assistimos ao noticiário em que irmãos brasileiros morrem de subnutrição, dengue, leptospirose, os nossos bancos patrocinam fortunas incalculáveis para meia dúzia de apanigüados. Somos os melhores com o futebol pentacampeão do mundo e os mais medíocres em termos de distribuição de renda e justiça social, embora alguns entendam que o Brasil é o país do futuro. Creio que, com essas desigualdades históricas, nós não temos sequer o direito de pensar em um futuro que não seja cercado de miséria e pobreza moral. (Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6)

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