Desde criança, Emerson Lopes Pinheiro admirava as facas de caça de seu tio, com quem convivia. Pegou gosto pela arma e nasceu uma verdadeira paixão. Aos 17 anos já fazia facas, mas ainda não era um profissional. “Eu fiz curso no Senai e mexia com máquinas de solda, aço e ferro. Tinha uma certa facilidade para a confecção de facas e resolvi me dedicar a essa atividade.”
Em 97, ele iniciou a carreira de cuteleiro, como profissional, e, um ano depois, entrou para a Confederação de Cuteleiros do Brasil. No ano seguinte, foi considerado o mais jovem cuteleiro do País.
Pinheiro não confecciona somente facas, já fez espadas medievais, canivetes e outras armas brancas, todas artesanalmente. Ele figura entre os 10 melhores cuteleiros do Brasil e sua especialidade é a fabricação de facas de combate. Ele usa o aço-damasco para tornar seu produto mais resistente.
Limas, molas e serrotes são ferramentas do cuteleiro. Através do aquecimento, mistura vários tipos de aço para chegar num produto final e único, pois leva sua marca. “São modelos únicos, criados por mim. Faço facas de época (clássicas) e as bowers, para caça, e utilitárias”, ressalta.
O jovem cuteleiro já faz escola: ele ensina os apaixonados a arte de transformar o aço. Um de seus alunos, Ricardo Argentim Paschoarelli, já se especializou em fazer bainhas. “Uso couro de boi, búfalo, couro de tilápia e de outros peixes.”
As criações de Pinheiro valem no mercado cuteleiro entre US$ 100,00 a US$ 400,00. “Eu uso madeira importada, chifres de cervos e marfim para a empunhadura.”
Pinheiro tem peças vendidas para o Uruguai, Canadá e outros países, mas as mais famosas foram as réplicas feitas a partir de peças usadas na Guerra do Golfo. “Fiz duas réplicas de facas capazes de furar coletes a prova de bala.”
Os clientes do jovem cuteleiro são colecionadores. “Atualmente, tenho vendido bastante para gerentes de banco que usam a faca para defesa pessoal.”
Os 10 melhores do País
1.º - Roberto Gaeta (SP)
2.º - Ricardo Romano (Itajubá-MG)
3.º - Francisco Petean (Birigui-SP)
4.º - Maurício Dobruski (Ponta Grossa-PR)
5.º - Jacinto Melo (Pará de Minas-MG)
6.º - Peter Hammer (Itapecerica da Serra-SP)
7.º - Antal Bodolay (Belo Horizonte-MG)
8.º - Cutelaria Korth (Presidente Prudente-SP)
9.º - Flávio Ikoma (Presidente Prudente-SP)
10.º - Emerson Lopes Pinheiro (Lençóis Paulista-SP)