Regional

Mulher cuteleira de Lençóis se destaca

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Marina Farão é gestora e orientadora habitacional na cidade de Lençóis Paulista (43 quilômetros a sudeste de Bauru). As horas de folga e os finais de semana são dedicados à cutelaria. Sua especialidade é criar peças únicas que levam um toque pessoal.

A artesã não faz peças sob encomenda. “Eu procuro fazer um trabalho diferenciado, único. A encomenda antecipada limita, não dá o mesmo prazer, porque tem que ser de determinado jeito.”

Para aprender as técnicas, ela fez um curso com o mais antigo cuteleiro de Lençóis Paulista, José Alberto Paschoarelli, que hoje se dedica à outra atividade, apesar de não ter abandonado a paixão pela confecção de facas.

O cuteleiro reproduziu uma das mais raras e famosas facas do pioneiro da área, o norte-americano Scagel, inspirador da cérebre Randall - lâmina de 7 polegadas em aço inoxidável 440 C forjado. A bainha, também similar à da rara original, foi executada por Marina Farão.

Ela diz que, como a cutelaria passou a ser um hobby, trabalha até três meses em uma única peça. “A faca em homenagem aos 500 anos do Brasil, minha primeira peça como profissional, foi trabalhada durante 90 dias. Ela não tem preço.”

A especialidade da cuteleira são facas de tamanho médio. “Produzindo em pequena escala, posso trabalhar com os detalhes e criar com mais tranqüilidade. Já usei lima de amolar enxada para fazer uma faca.”

Para confeccionar a empunhadura (cabo), a artesã usa vários tipos de materiais. “Marfim, chifre de animais, madeira de lei, enquanto as lâminas são feitas de aço inox 440 e aço-damasco”, conta.

Aparição famosa

Uma promoção do Playcenter da Capital foi a aparição mais famosa da cuteleira Marina. “Na inauguração da Noite do Terror, foi montada uma vila medieval. Eu e outros cuteleiros com forjas e bigornas produzimos as facas. Na demonstração, eu produzi cinco, usando marretas.”

Para ela, a arte de confeccionar facas é uma terapia. “No Brasil, a arte ainda não é valorizada, com raras exceções. Nossos clientes são, em sua maioria, os colecionadores.”

Comentários

Comentários