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Bens tombados podem ganhar placa informativa

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Resgatar e valorizar patrimônios históricos da cidade. Este é o objetivo de um projeto de lei que propõe a fixação de placas contendo informações culturais em bens públicos e privados tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac).

O município possui cerca de 15 imóveis tombados por decreto oficial, de acordo com o presidente do Codepac, Nilson Ghirardello. Entre eles, os prédios da Igreja Santa Terezinha e da Igreja Presbiteriana, a capela da antiga Santa Casa de Misericórdia, o Hotel Cariani, a entrada do Cemitério da Saudade, o antigo Palacete Pagani, os edifícios da Estação Noroeste do Brasil e Estação da Paulista e o antigo prédio do Hospital Beneficência Portuguesa. Há ainda outros 26 processos de pedido de tombamento sendo analisados pelo conselho.

A exemplo de placas existentes em bens tombados nas cidades européias, a medida sugerida traz informações que possam esclarecer a população sobre a importância da preservação de prédios locais. Entre elas, dados como a data e o motivo da construção do imóvel e o engenheiro e arquiteto responsáveis.

“É uma intenção de contribuir para a preservação de memórias, sendo elas das pessoas que construíram ou do próprio patrimônio físico”, explica a autora do projeto, a vereadora Majô Jandreice (PCdoB). “É também uma forma das gerações futuras conhecerem o passado da cidade”, acrescenta.

O projeto é aprovado pelo Codepac, que há anos estuda a possibilidade de fixar placas em bens tombados, explica Ghirardello. “Essa é uma idéia que o conselho discute há muito tempo e que foi sugerida de início pelo professor Muricy Domingues, que era nosso conselheiro”, diz. “Nós discutimos o projeto e fizemos algumas alterações”, completa.

Independentemente da aprovação do projeto -publicado na última quinta-feira no Diário Oficial do Município -, o prédio do Hospital Beneficência Portuguesa contará com a colocação de uma placa descrevendo aspectos históricos e culturais do imóvel.

“Queremos preservar esse lado histórico que nós achamos muito importante. É um prédio bem antigo e resolvemos colocar a placa como um marco”, aponta o administrador hospitalar da Beneficência Portuguesa, Luiz Carlos Mendes Júnior.

O prédio do hospital foi tombado no mês passado, conforme decreto oficial assinado pelo prefeito municipal Nilson Costa. A medida faz com que o telhado, a varanda, as rampas situadas em frente ao estacionamento e a fachada frontal do prédio (que inclui paredes, portas e janelas de madeira), sejam preservadas no estilo arquitetônico original.

A pedra fundamental do prédio do hospital é de 1925, mas o imóvel foi inaugurado oficialmente em 1928. Ele foi criado em 1915 pela Sociedade Beneficente Portuguesa, que se formou no ano anterior. “A história do hospital é muito interessante, ela começou com um grupo de portugueses que se uniu e resolveu montar algo para atender à população na época”, conta Mendes Júnior.

“O prédio foi construído por um arquiteto-engenheiro famoso (como eram chamados os engenheiros antigamente), o português Ricardo Severo, que se transferiu para o Brasil por volta de 1914 trazendo uma linguagem arquitetônica neocolonial, que é a linguagem que o prédio da Beneficência Portuguesa segue”, detalha Ghirardello.

Os trabalhos de restauração do prédio do hospital tiveram início há dois meses. Segundo Mendes Júnior, a previsão é de que a obra esteja pronta até setembro. O projeto de lei não propõe exclusivamente a fixação de placas em bens tombados, ressaltando que se houver interesse dos proprietários, o emplacamento poderá ocorrer em imóveis que têm valor histórico e cultural para o município.

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