A taxa de mortalidade infantil caiu 38% em Bauru nos últimos dez anos, de acordo com dados da Secretaria Municipal da Saúde. Em 1993, foram registradas 20,65 mortes em cada mil crianças nascidas vivas na cidade antes delas completarem 1 ano, número que baixou para 12,73 no ano passado. Na área de atuação da Diretoria Regional de Saúde (DIR-10), a redução foi de 40,6% desde 1995.
Segundo a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), a média estadual da taxa de mortalidade infantil verificada em 2003 foi de 14,8 mortes a cada mil nascidos vivos. Por regiões, a DIR-10 teve o sétimo melhor desempenho entre as 24 diretorias analisadas.
Para a integrante do Comitê Municipal de Mortalidade Materno-Infantil, Heloísa Ferrari Lombardi, os programas de atendimento e acompanhamento de gestantes e bebês implantados em Bauru nas últimas duas décadas contribuíram para a queda do número de mortes na cidade.
Ela cita como exemplo o Programa de Defesa da Vida, um dos mais antigos. “Temos uma equipe que é treinada para fazer um inquérito que reúne dados da gestante e do recém-nascido. Se a criança estiver dentro dos critérios de risco, é priorizada imediatamente e recebe marcação cerrada. Fazemos isso em todos os hospitais, inclusive aos finais de semana”, destaca.
Apesar da dificuldade da prefeitura para contratar pediatras para os pronto-socorros do município, Lombardi acredita que o fato não vem provocando reflexos na taxa de mortalidade infantil em Bauru. “É importante que as crianças recebam acompanhamento regular nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nesses locais não está havendo carência de profissionais”, argumenta.
Pastoral
Além da prefeitura, a Pastoral da Criança da Igreja Católica também desenvolve um trabalho de monitoramento junto aos recém-nascidos que vivem com famílias carentes. Cada criança recebe uma ficha que serve para avaliar o seu desenvolvimento ao longo dos primeiros meses de vida.
A coordenadora diocesana da Pastoral, Maria do Carmo Pereira Janini, afirma que vem notando a melhoria nos índices de mortalidade infantil do município, mas defende investimentos em infra-estrutura para que eles possam baixar ainda mais. “Nas favelas, por exemplo, não há saneamento básico e fica difícil controlar os casos de diarréia”, relata.
Segundo ela, cerca de mil crianças carentes são acompanhadas pelos 165 membros da pastoral. “Poderíamos atender um número bem maior caso tivéssemos mais voluntários”, diz.
Os interessados em participar da Pastoral da Criança da Diocese de Bauru devem ligar para o telefone (14) 3239-6782.
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Causas
O levantamento da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) mostra que, na área da Diretoria Regional de Saúde (DIR-10), 6,5 das 13,6 mortes verificadas em cada mil crianças nascidas vivas têm como causa doenças perinatais (ocorridas geralmente entre o final da gestação e a primeira semana de vida).
Para diminuir esse índice, a integrante do Comitê Municipal de Mortalidade Materno-Infantil, Heloísa Ferrari Lombardi, afirma que as gestantes precisam estar atentas aos exames que devem ser realizados durante a gravidez. “O pré-natal, por exemplo, pode ajudar a evitar muitas mortes”, comenta.
A segunda principal causa de morte em crianças da região em 2003 foram as anomalias congênitas (3,2 mortes em cada mil nascidos vivos), seguidas pelas doenças do aparelho respiratório (uma morte em cada mil nascidos vivos) e pelas doenças infecciosas e parasitárias. (0,7 morte em cada mil nascidos vivos).
Lombardi lembra que o primeiro ano de vida da criança é o mais suscetível a doenças, pois é o período em que ela está mais vulnerável. “Justamente por isso, a mãe não pode deixar de levar o filho às consultas e tem que cumprir o cronograma de vacinas”, orienta.