Advertindo os jornalistas, o senhor Luiz Gushiken, ministro da Comunicação, externou sua maneira de interpretar os fatos, usando estas palavras: “Vocês (jornalistas) sabem que a liberdade de Imprensa é um valor definitivo na democracia, mas sabem também que em uma sociedade nada é absoluto, tudo é relativo”. Face ao palavreado do senhor ministro, perguntaria: afinal, o sistema social que vocês próprios reafirmam e preconizam é ou não é um sistema democrático? Sua advertência é uma ameaça e, numa democracia, não se usa ameaça.
A verdade é que os senhores da ala do poder se intitulam democráticos, porém, ao que parece, de vez em quando, escorregam, esquecem que o são. O senhor ministro Gushiken, a meu ver, está tentando distorcer uma verdade; usando para tal, as idéias de uma organização política que não se enquadra nos parâmetros democráticos. Numa sociedade realmente democrática, a liberdade de imprensa é indiscutível, porque dela emana a liberdade de um povo. Tal liberdade, baseada nos preceitos da lei que rege a vida da nação, é sempre absoluta, porque liberdade relativa é uma “meia liberdade”. Isto não existe. É uma ficção elaborada em mentes totalitaristas. Assim, também, a liberdade sobre controle, que certos grupos totalitaristas preconizam, não é uma liberdade. É um simulacro.
Em uma nação democrática, o poder político, de forma alguma, poderá ou deverá intervir na liberdade dos cidadãos ou de suas instituições. Nela existe um órgão de Justiça, incumbido de respaldar o direito acaso conspurcado; não só do cidadão, como do grupo social. O inadmissível é a intromissão política em assunto que não lhe compete. Em nosso País seria um retrocesso social admitirmos um sistema político, nos moldes da China ou de Cuba. Reconhecemos na China uma potência econômica. Contudo, uma nação socialmente retrógrada, onde se arrasta uma multidão de seres humanos escravizados, vivendo na mais triste situação de miséria. Imprensa amordaçada. Sociedade escravizada. Preferível é uma imprensa eivada de defeitos do que algemada a um poder político.
Áureo Corrêa de Souza