Não há nenhum lugar no mundo dotado da suprema ventura de não ter violência, pois o elástico problema se tornou universal, fruto de injustiças e de educação sumamente deficiente. Podem, portanto, cantar vitória, as cidades que se considerem livres de tal anomalia, causadora de tragédias que abalam suas estruturas sociais. E é problema que vai robustecendo inevitavelmente a legião de candidatos à prática de delitos à medida em que desaparece na sociedade o sentido de fraternidade e as famílias começam a se desagregar, conforme opinam os psicólogos, acrescentando que o fenômeno é desencadeado pelo acúmulo de decepções que se abate sobre os seres.
É a frustração que origina a agressividade, que se instala, muitas vezes, em decorrência de insucessos nas profissões, nos estudos escolares, nos desempregos, nas desilusões amorosas, ocorrências assim que geram irritações incontroláveis nos indivíduos. Mas não seriam só essas as causas das violências humanas, figurando também no rol as provocações pessoais. E se tem de debitar aos pais despreparados grande parcela de responsabilidade no caso, face ao mundo de contradições e desentendimentos que oferecem aos seus descendentes, podendo dizer-se, então, que a irritabilidade vem do berço.
Inserida neste universo de cargas ininterruptas de desmandos, a criança se inclina, aceitando a situação como posicionamento inteiramente normal, incorrigível, uma vez que tudo vê do quanto acontece ao seu redor. Então, conseqüências mais graves começam a manifestar os menores num futuro rotineiramente bem próximo. Fugir dele de que forma? Se os genitores são intolerantes em suas tendências punitivas, pecando muitas ocasiões com sérios castigos físicos e morais, o que podem esperar dos rebentos a não ser desrespeito aos deveres e direitos das personalidades, figurando aí, de maneira iniludível, outra face da violência caracterizadora dos nossos penosos dias.
Uma bela poesia, que nos foi passada por uma colega da redação, explica tudo: “Os amigos são tão amigos, que voltam. São tão fraternos, que se unem. São tão simples, que cativam. São tão desprendidos, que doam. São tão dignos, que amam, compreendem a perdoam. São tão necessários, que sempre se fazem presentes. São tão grandes, que se distinguem. São tão dedicados, que edificam. São tão preciosos, que se conservam. São tão irmãos, que partilham. São tão sábios, que ouvem, iluminam e calam. São tão raros, que se consagram”. É, também, a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado, e jornalista, responsável do JC.