Cultura

Jogos Olímpicos

Por Cristina Rodrigues Franciscato | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 2 min

Conta Heródoto (História, VIII, 26) que, durante a guerra entre gregos e persas, alguns desertores da Arcádia foram levados à presença de Xerxes, o grande rei. Ele desejou saber o que faziam seus inimigos naquele momento. Os arcádios contaram que os gregos realizavam competições atléticas e hípicas em Olímpia. Alguém perguntou qual era o prêmio disputado pelos concorrentes e eles responderam que era a coroa de folhas da oliveira sagrada, conferida ao vencedor. Então, um dos oficiais exclamou, dirigindo-se ao general: “Ah! Mardônio, contra que espécie de homens nos faz guerrear, que não competem por dinheiro, mas pela excelência”.

Compreender o lugar e a importância dos Jogos Olímpicos na Grécia Antiga é aproximar-se de valores que ajudaram a construir o esplendor da civilização helênica. Entre eles está a educação do jovem grego e seu ideal de harmonia entre corpo e alma, traduzido na expressão Kalós kagathós: busca do Belo e do Bem. O Belo com relação à forma, à perfeição física, e o Bem no que diz respeito ao caráter, ao anseio pela excelência.

Os Jogos Olímpicos acontecem historicamente, pela primeira vez, em 776 a.C., mas suas origens perdem-se nas brumas do mito e da pré-história grega. Há evidências arqueológicas e iconográficas de que competições atléticas já ocorriam em terras helênicas desde a Idade do Bronze, nos chamados períodos minóico (com relação à civilização que se desenvolveu na ilha de Creta entre 2500- 1150 a.C.) e micênico (1600– 1100 a.C.). Em Creta, as disputas eram parte dos festivais religiosos e incluíam salto acrobático, salto sobre o touro, pugilismo e luta. Na Grécia micênica aparecem a corrida pedestre e a corrida hípica de carros, a mais aristocrática das competições.

Os helenistas propõem diferentes hipóteses para a origem dos jogos: ritos agrários visando à fertilidade da terra, disputas rituais pelo trono, jogos fúnebres em honra de heróis ou mortos ilustres, etc. A primeira hipótese considera que as festividades em Olímpia, em homenagem a Zeus, tinham caráter de purificação e revigoramento da terra, uma provável alusão a antigos rituais que visavam à prosperidade das colheitas. As duas possibilidades seguintes nos remetem ao mito de Pélops, personagem que dá nome à região do Peloponeso (em grego, “ilha de Pélops”), onde está Olímpia.

Conta o mito que Pélops, in illo tempore, conquistou Hipodâmia vencendo seu pai Enômao, rei de Pisa (cidade vizinha de Olímpia), numa corrida de carros. Enômao só permitiria o casamento da filha com o pretendente que o vencesse, algo impossível já que seus cavalos eram divinos, presentes do deus Ares. Os vencidos eram mortos. Hipodâmia se apaixona por Pélops e ambos subornam o cocheiro real. Ele serra o eixo do carro que se rompe durante a corrida, causando a morte de Enômao. Então Pélops realiza jogos fúnebres em Olímpia em honra ao sogro. Eles são, ao mesmo tempo, uma comemoração para sua vitória e casamento com Hipodâmia.

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