A história dos sacis na cidade de Botucatu teve início em 67, conta o secretário da Cultura da cidade, Wilson Nakamoto. “O Centro Acadêmico Pirajá da Silva – que era o centro acadêmico da Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas, que não era da Universidade Estadual Paulista (Unesp), tinha como símbolo, o saci.
Na década de 80, foi fundada a Associação Nacional de Criadores de Sacis - a ANCS. Essa associação teve uma grande divulgação na mídia. Todo mundo comentava, especialmente depois que o presidente esteve no programa do Jô Soares.
Em 2001, quando Nakamoto assumiu a secretaria, resolveu resgatar as histórias do saci. “Já existia a associação nacional e o assunto era bastante comentado. O festival foi um sucesso e garantiu as novas edições. Estamos na 4ª edição.”
A idéia era resgatar a música de raíz, das tradições locais e o personagem do folclore brasileiro. “Pensamos em uma festa nos moldes do Hallowen. Não fazendo uma disputa direta com a festa das bruxas, mas colocando como um mito brasileiro com a necessidade dele aparecer também.”
A preocupação com o meio ambiente fez com que os organizadores da festa agregassem valores. “Demos uma nova conotação. Como o saci vive na mata acrescentamos a preservação ambiental. Porque para ter uma criação de sacis é preciso ter a mata e água de boa qualidade. Além, é claro, da parte folclórica, lendas etc.”
Com a parte cultural montada, os organizadores pensaram em investir na gastronomia regional. “Botucatu vai completar 150 anos e não tem uma gastronomia própria, típica que pode atrair turístas. Lançamos a idéia e foram surgindo vários pratos e bebidas.”
Exemplo disso é a cachaça do saci feita com garrafa revestida com arenito Botucatu, enfatiza Nakamoto. “Demos todo esse cunho da gastronomia e um artesanato bom para movimentar o turismo.”
A fórmula deu certo. No ano passado cerca de cinco mil pessoas participaram do festival, em seus dois dias. Este ano, o público visitante atingiu a marca de mais de seis mil.
O festival de 2004 passou por modificações. “Teve a noite do saci em uma boate, música, teatro, trilha, gastronomia e artesanato.”
O lado folclórico foi enfatizado com a presença de contadores de história e a patrulha do saci, uma gincana que leva a criançada a conhecer as histórias que envolvem o personagem.”