Polícia

DIG confirma latrocínio de advogado


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A Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra) confirmou ontem a hipótese de latrocínio no caso da morte do advogado Jorge Luis Reis Charneca, de 33 anos. O carro do advogado, desaparecido desde quarta-feira, dia da morte, foi encontrado e levou a polícia aos criminosos.

Por volta das 11 horas de ontem, Lucia Elena Soares Oliveira Marafiotti avisou a Base Comunitária Oeste da Polícia Militar que havia um carro suspeito em sua garagem, na rua Militino Martins, 4-27, na Vila Independência. Segundo ela, o carro teria sido deixado lá pelo neto Paulo Victor Marafiotti, de 19 anos, desempregado.

O carro, um Gol vermelho placas DAW 1753, era o de Charneca, desaparecido desde quarta-feira. Paulo Marafiotti, que mora a duas quadras da avó, foi detido, declarou-se inocente e acusou três menores como autores do crime. Ele teria apenas ficado com o carro.

Os menores, dois de 16 anos e um de 17, foram também encontrados pela polícia e confessaram o crime em depoimento ao titular da DIG, J.J. Cardia. Segundo eles, há ainda mais um envolvido no crime, ainda não localizado. Marafiotti não foi citado no relato dos menores, mas a DIG não descarta a possibilidade de ele estar envolvido com a morte. “Ele já participou do crime por ter guardado o carro, mas ainda não temos as provas de que ele participou da morte”, disse Cardia.

Segundo os menores, depois de dar aula em um curso pré-vestibular na Universidade Estadual Paulista (Unesp), onde atuava como voluntário, Charneca teria ido encontrá-los na Vila Independência, após a solicitação por telefone de um deles. Os criminosos eram conhecidos da vítima.

Chegando lá, os menores renderam Charneca com um revólver e o levaram até a estrada de terra que liga Bauru a Piratininga, onde o advogado foi encontrado morto, sob uma ponte, no córrego Santa Rosa.

Como o advogado não portava dinheiro, os autores do crime agrediram-no com socos e chutes, até fazê-lo desmaiar. Segundo relato dos criminosos, o corpo foi então jogado no córrego, já que acreditavam que o advogado estava morto. Os criminosos descreveram ainda a posição do advogado depois da queda, a mesma encontrada pela polícia na manhã seguinte, com metade do corpo dentro da água.

Um laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) de Bauru confirmou a morte por afogamento e em conseqüência de um trauma de medula na altura do pescoço. O trauma teria sido causado pelas agressões dos quatro menores, nenhum deles com passagem anterior pela polícia.

Marafiotti e os menores estão detidos no DIG/Garra, mas devem ser transferidos para a Cadeia Pública de Avaí e para a Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem).

Objetos desaparecidos

Ainda estão desaparecidos um relógio, um anel, um telefone celular e documentos pessoais de Charneca. Além do carro, uma pasta com papéis foi encontrada na quinta-feira em um bueiro na Vila Independência. Ela continha a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Charneca, que, além de professor voluntário, era sócio de um escritório de advocacia no Centro da cidade. O advogado é a 38ª vítima de assassinato em Bauru este ano.

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