Regional

Bandeiras tornam o voto conhecido

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Reginópolis - Se por um lado as bandeiras nos telhados e nos quintais das casas podem servir como termômetro para as eleições de outubro, em Reginópolis (70 quilômetros a noroeste de Bauru), por outro retira do voto seu caráter secreto. Com as bandeiras, cada morador declara publicamente em quem deverá votar.

Por esse motivo, muitos comerciantes e moradores resistem em participar dessa “onda”. Eles temem sofrer represálias por causa de suas preferências partidárias.

“As pessoas confundem política com amizade”, declara Luiz Carlos da Silva, 39 anos, comerciante no ramo de confecção. “Nós temos nossas preferências, mas não podemos nos manifestar”, revela.

Segundo ele, existem clientes que deixam de comprar em determinado estabelecimento porque o dono apóia um candidato diferente do seu. Em alguns casos, a divergência transforma-se em agressão física ou verbal até entre parentes. Diante disso, Silva conta que resta apenas uma alternativa. “Temos de ser o mais isento possível”. Sobre as bandeiras, que tomaram conta da cidade, ele comenta que achou engraçado.

Outros comerciantes, como Pedro Luiz Franco, não se importam tanto com a reação dos moradores. Ex-assessor de gabinete da atual prefeita Carolina Veríssimo (PMDB), Franco faz campanha contra a candidata à reeleição, de quem se desligou há cerca de dois anos.

Proprietário de uma distribuidora de gás, Franco conta que teve uma propaganda vetada pela prefeita porque dizia que “se a chama não for azul a coisa fica preta”. Segundo ele, Carolina teria considerado a propaganda ofensiva porque o azul, junto com o amarelo, é a cor adotada pelo candidato de oposição, Cláudio Undiciati (PSDB).

O morador Antônio Guandalin, 57 anos, também disse não ter receio de expor suas preferências políticas. Com uma bandeira no telhado da casa, ele acredita que mesmo que seu candidato não vença as eleições não sofrerá represálias do grupo político adversário.

Outras duas moradoras, no entanto, não têm tanta certeza disso. Uma delas não colocou bandeira em casa e garantiu que não o fará, porque não quer se envolver em “briga política”. A outra, adotou a bandeira, mas pediu para não ser identificada, a exemplo da primeira, com medo de futura perseguição.

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