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Modernidade x humanidade


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Vivemos um período paradoxal e ímpar da história humana: usufruímos dos frutos das descobertas fascinantes nos campos da ciência, tecnologia, medicina, no entanto, por outro lado, bilhões de seres humanos padecem atrocidades e sobrevivem em condições subhumanas.

Através da Internet, o mundo surge em nossas mãos num simples movimento do mouse. Por meio do telefone, em minutos comunicamo-nos com habitantes de outros continentes. Fatos de natureza nacional e internacional invadem as nossas casas, explodindo ao vivo e em cores em tempo real. O telex não nos faz falta nenhuma após conhecermos o fax e, tornou-se peça de museu.

Henry Ford, em 1903, fascinou o mundo com sua criação, no entanto, quando observamos o design e a potência dos atuais veículos disponíveis no mercado, ficamos surpresos com a transformação ocorrida com a obra-prima do gênio do automobilismo. Aviões cruzam o céu em velocidades alucinantes, navios confortáveis navegam os oceanos com segurança e chegam aos longínquos destinos em curto período de tempo.

Doenças infecciosas que dizimaram populações no passado triste da história, atualmente estão sob controle, enquanto outras mantêm-se sob estudo de diversos cientistas. A medicina está tão avançada que mesmo antes de nascer já podemos saber o sexo do bebê e até mesmo determiná-lo, se os pais assim o desejarem. Outros avanços conquistados e dignos de nota são os transgênicos, o mapeamento do genoma, o domínio da energia nuclear, fibra ótica, dentre outros.

É inegável as conquistas adquiridas pela humanidade. No entanto, apesar destes êxitos, ainda temos 3 bilhões de pessoas no planeta vivendo abaixo da linha da pobreza, 840 milhões estão subnutridas levando a morte de 25 mil por dia.

Nas grandes cidades, as favelas proliferam e junto delas dominam as drogas, a violência, originando milhares de mortes. A violência no trânsito também ceifa milhares de vidas. Mesmo com o avanço da medicina, o câncer e a temível aids não fazem distinção de classes sociais e levam milhões ao óbito todo ano. O vírus do desemprego também tem demitido a esperança de muitos haja vista a elevada cifra da população ativa sem carteira assinada.

Uma outra praga a assolar o País certamente é a corrupção. Pessoas sinceras são constantemente enganadas por representantes do povo que deveriam defendê-las, e quando descobertos quase sempre ficam impunes. Embora tantas conquistas, nunca se vivenciou tanta frustração, conduzindo muitos em busca de antidepressivos e fazendo a fortuna dos grandes laboratórios farmacêuticos.

Soma-se a isto, a crise nas autoridades constituídas: Igreja, Estado, autoridades e pais. Este visível contraste nos induz a perguntar: afinal, que progresso é este que nos leva a conquistar o espaço, mas não nos “ensina” a conviver amigavelmente com nossos semelhantes? Ou, de que adianta o acesso a tanta informação através dos meios de comunicação se nem mesmo conseguimos dialogar pacificamente com nossos jovens, nossos idosos e até mesmo com nossos familiares?

Ou ainda, de que adianta o avanço da medicina que retarda o envelhecimento através de medicamentos ou cirurgias plásticas se continuamos cada vez mais insensíveis com a dor do nosso próximo? Não há dúvida de que estas descobertas e outras mais contribuíram para facilitar e dar conforto em nosso dia-a-dia.

Por outro lado, demonstrar e praticar qualidades como a compaixão, solidariedade, afeto e, principalmente, o genuíno amor (escassos hoje em dia), nenhum avanço tecnológico pode nos ensinar. Mas nós podemos demonstrá-las. Afinal, fomos criados com a capacidade e o desejo de amar. Depende de nós colocarmos em prática, sem demora.

O autor, Clóvis Roberto Benedetti Lourenço, é educador.

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