O número de alunos inscritos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2004 em Bauru tem redução de 17% em relação ao ano passado. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), nesta edição, 6.265 estudantes participarão da prova, que será realizada no próximo domingo em quatro instituições públicas e privadas da cidade. Em 2003, o programa registrou 7.600 inscrições.
O menor índice de participação local no Enem acompanha as estatísticas do Estado de São Paulo, que possui 488.446 alunos inscritos este ano, contra 551.737 no ano passado. No total, mais de 1,5 milhão de jovens entre 17 e 18 anos de 608 municípios e do Distrito Federal, realizarão o exame. Em 2003, o País teve cerca de 1,9 milhão de inscritos.
A prova não é obrigatória e tem como público-alvo os estudantes que estão concluindo ou já terminaram o ensino médio (antigo 3.º colegial). “O Enem é voltado para alunos concluintes do terceiro ano, mas existem algumas escolas que têm o quarto ano do magistério e esses alunos podem prestar o exame porque cursam uma série terminal”, ressalta a supervisora da Diretoria Regional de Ensino (DRE), Maria Manoela Brito.
Os resultados do Enem podem ser utilizados nos processos seletivos das universidades no Brasil. Essa possibilidade atrai o estudante Irineu Rubira Cirino Júnior, 17 anos, que fará a prova domingo. “O exame pode melhorar um pouco minha nota quando eu for prestar o vestibular. Também é um preparo para o vestibular”, diz.
Atualmente, 436 instituições públicas e privadas utilizam as notas obtidas no exame para os cursos de graduação. Em Bauru, o desempenho no Enem está inserido nos processos seletivos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade de São Paulo (USP), Universidade do Sagrado Coração (USC), Instituição Toledo de Ensino (ITE), Faculdades Integradas de Bauru (FIB) e Universidade Paulista (Unip).
Apesar da inclusão dos resultados do Enem nos vestibulares, o número de inscritos em Bauru e em todo o País este ano caiu. O fato pode ser um reflexo da falta de perspectiva em relação ao mercado de trabalho, aponta o professor de cursinho Wagner Gonçalves Teixeira.
“A cada ano que passa, os alunos têm um desinteresse maior em sala de aula. Antigamente se fazia uma faculdade para ganhar dinheiro, hoje quando os alunos saem da faculdade, eles não sabem o que os esperam. Em Bauru, por exemplo, tem mais de três mil advogados e muitos estão trabalhando em outras áreas”, diz Teixeira.
Treineiros
Outra hipótese que explicaria a menor procura pelo exame pode ser a diminuição das inscrições de alunos do 1.º e 2.º ano do ensino médio, os treineiros. “O Enem tem um peso maior para o aluno do 3.º colegial, que vai prestar vestibular. Os outros alunos muitas vezes prestam como um teste”, explica o professor de redação Paulo Henrique Carducci.
Manoela Brito concorda. “Os alunos que não eram do 3.º ano prestaram a prova no ano anterior. Pode ser que este ano, (os alunos nessa condição) não tenham se inscrito”, observa. Carducci salienta que as escolas estão realizando provas semelhantes ao Enem para preparar seus alunos - fato que também pode justificar a redução na participação dos treineiros.
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Preparação
Para quem vai prestar o Enem, o exame serve para examinar os conhecimentos adquiridos e como forma de preparação para os processos seletivos. Esse é o caso de Renata Ponce, 18 anos, uma das inscritas na prova. “Os resultados podem ajudar na nota em algumas faculdades”, conta. A estudante Bruna Silveira Pera, 17 anos, tem a mesma opinião. “Vou prestar o Enem para testar meus conhecimentos, já que vou prestar vestibular no final do ano. Acho legal atingir uma pontuação que possa me ajudar”, diz.
Natalia Thomaz Alves, 18 anos, ressalta que apesar do resultado interferir no processo seletivo, fará o exame para avaliar seu aprendizado. “O Enem serve para testar meus conhecimentos adquiridos no colegial”, destaca.
O Enem é composto por 63 questões de múltipla escolha e uma redação. No dia da prova, os alunos também deverão responder um questionário sócioeconômico. O início do exame está marcado para as 13h e seu término para as 18h. Coordenado pelo Inep, o exame foi aplicado pela primeira vez em 1998 e avalia as competências desenvolvidas em 11 anos de escolarização básica.