Pesca & Lazer

História de Pescador: Pegou o quê


| Tempo de leitura: 2 min

“Todo pescador sabe que, mais do que os peixes, em qualquer pescaria o fator mais importante é a qualidade dos companheiros.

O lugar pode ser ótimo, pode ter muito peixe, mas se os companheiros não forem bons a pescaria fica sendo daquelas que a gente quer esquecer...

Eu, graças ao nosso padroeiro São Pedro, nunca tive esse azar. Como nunca gostei de bagunça, sempre viajei com pouca gente, que é o primeiro passo para tudo sair nos conformes...

Euclides Possati, caboclo de Itápolis, filho da colonização italiana de tão boa vizinhança, bem querida por todos. Prosa gostosa, cheia de porca madona, dio sarpon e outras tantas expressões singelas, usadas por ele em qualquer situação. Pau para toda obra, cozinheiro de mão cheia, não podia faltar em qualquer viagem.

O França, colega de trabalho, de poucas palavras e muita paciência. Para ele, tudo estava sempre bem. E, se não estivesse, ele dizia que era só esperar que ficava.

Acampamento armado na beira do Miranda, no médio curso, para cima da cidade uns quantos bons quilômetros, para deixar gente longe. Para cima do Saladeiro e da Fazenda Betione, campo de treinamento do exército. Lugar bom demais da conta, boa sombra, muitas araras nos ingazeiros, um pedacinho de paraíso.

Começo de noite, depois da janta, cada um de nós se arranjou num pedacinho de barranco, na esperança de umas jurupocas e jurupensens. Distância boa para nos ouvirmos, mas grande demais para nos vermos.

De vez em quando, se ouvia um pegar de peixe e se pedia o relatório: o que é, de que tamanho, que isca foi e por aí vai.

Lá pelas tantas, barulho bom na água lá nos lados do Possati.

- Ô véio, que peixe foi?

- Sem resposta, mandei de novo: ô véio, foi jurupoca?

- Agora veio resposta: Não!

- Foi jurupensen?

- Não!

- Pintado, piranha, barbado?

- Não, não, não!

- O que é que você pegou então véio?

E ele, depois de uma pausa, deu de volta, naquele sotacão italianado:

- Dio porco, uma pistola de cavalo!!!

Intrigados, fomos lá eu o França ver que diabos tinha pego o Possati.

Vimos o véio com o braço esticado, para deixar longe o bicho que ele olhava assustado, com os olhos bem arregalados!

Fomos conferir e juro que o véio tinha razão. Tava lá pendurada a maior tuvira do mundo, ou pelo menos do Miranda. Mais de um metro de comprimento, cabeção redondo e lustroso... uma verdadeira pistola de cavalo que eu tive que livrar do anzol, pois o Possati, aquele, não teve como... Disse que nem morto punha a mão naquilo!!

Oscar de Azevedo Nolf é pescador e contador de histórias (www.tbftt.com.br)

Comentários

Comentários