Era uma vez um domingo. Um domingo qualquer em Bauru, porque Bauru especial somente como nome de lanche “sui generis” ou linha de ônibus municipal. Mas era um domingo, um domingo qualquer, daqueles “que a gente é fraco, cai no buraco, o buraco é fundo...” e tem buraco para todo o mundo! Mas era mesmo um domingo qualquer? Não, era aniversário de Bauru, uma cidade completando 108 anos, perdida como uma criança sem sua bússola-mãe ou abandonada em um asilo da terceira idade-moderna. Geralmente, em aniversário há festas, há sorrisos, há apertos de mão, há presentes, ainda que vivamos de passados.
Entre as possíveis “inúmeras” atrações havia um show de Lulu Santos. Ótimo, obrigado, Pão de Açúcar, mas traga também o Corcovado para ver se salva esta cidade! Houve também um excelente e solidário show de saltos, manobras, sustos, sorrisos e arrecadação de alimentos. Ótimo, parabéns, Skydive, mas traga anjos do céu para resguardarem esta cidade. Mas, para mim, o melhor da festa começou pela manhã, no melhor clube de Bauru: o Sesc. Como pode um clube ser organizado a tal ponto de nem parecer com Bauru? Sei que muitos falarão da arrecadação de impostos, de recursos próprios e gerados, porém o Sesc é sensacional. O Sesc, a exemplo da TV Preve que saiu na frente, deveria realizar um encontro de candidatos a prefeito. Não para ouvi-los, mas para ensiná-los a diversão, a organização e a possibilidade de fazer sorrir. Tenho certeza de que o Sesc tem estrutura para organizar qualquer segmento e os precários e nefastos momentos de Bauru extinguir-se-iam!
Pois foi nesse mesmo Sesc, que, no primeiro dia e domingo de agosto, eu sorri, chorei, aplaudi e acreditei em Mariza Basso e Cia Catapimpa, com a peça “Circo dos Objetos”. A alegria do circo, através de escovas, baldes, espanadores e bolas, que se metamorfosearam em sonhos e atividades lúdicas com a platéia. Sim, porque quem também ama a tudo isso somos nós, os adultos, que voltamos ao passado, que nos lembramos da infância. No meu caso, do coreto e dos jacarés da praça Rui Barbosa, do Araúúújo do Noroeste, dos filmes pseudocoloridos do Tarzan no Cine Bela Vista, do Cacareco, do Carnaval e outras tantas coisas. Obrigado, Mariza e Catapimba, mas não vão embora. Tragam-nos sempre o circo, pois o pão, as cabeças políticas de Bauru deram ao diabo que o amassa todos dias, e no caso desta cidade, “talvez” nos dê para comer!
Sinuhe Daniel Preto - RG 10.981.715-1