Botucatu - A médica pediatra Jéssica Presa, gerente-médica da Aventis Pasteur, informou que o surto de hepatite A ocorrido na Escola Municipal de Educação Infantil Aida Heloísa Ávila, no Jardim Brasil, em Botucatu (100 quilômetros a sudeste de Bauru) poderá ser contido com a vacinação das crianças, professores e funcionários da escola com a vacinação contra a doença.
De acordo com a médica, a vacinação seria um dos meios de contenção do surto porque as crianças com menos de 6 anos são os principais disseminadores dos vírus, já que muitas vezes estão infectadas, mas sem apresentar sintomas.
“Não podemos esquecer que nessa idade, 75% dos casos são assintomáticos. As crianças têm o vírus e não sabem que podem estar transmitindo a doença para suas famílias, amigos, vizinhos, colegas e funcionários da escola”, disse a médica.
Jéssica Presa alertou ainda que, apesar das medidas de limpeza adotadas pela escolas, as crianças estão numa idade na qual ainda não adquiriram todos os cuidados com a higiene, por isso as que estão contaminadas podem passar a doença para outras pessoas que ainda não tiveram contato com o vírus.
A médica afirmou ainda que a hepatite A é uma doença mais perigosa do que pensa a maioria das pessoas. A cura exige repouso por cerca de 30 dias, obrigando o doente a se afastar de suas atividades normais.
“Se o paciente é uma criança, os pais têm de faltar do trabalho para cuidar dela. Mesmo que não seja freqüente, a hepatite A pode causar complicações graves, inclusive hepatite fulminante. Hoje a hepatite A é a principal causa de transplantes hepáticos em crianças.
Escola vazia
A confirmação de cinco casos de hepatite tipo A praticamente esvaziou a Escola Municipal de Educação Infantil Aida Heloísa Ávila.
Dos 120 alunos que freqüentam a pré-escola, somente 10% estariam comparecendo às aulas. Os demais aguardam em casa até que a doença esteja comprovadamente afastada.
O primeiro caso foi descoberto no início deste mês, logo após a volta às aulas. Na ocasião, a direção da escola promoveu uma reunião com as mães de alunos, juntamente com representantes da Secretaria Municipal de Saúde.
Mesmo com todas as orientações e os procedimentos de segurança com a higiene que a escola disse ter tomado, muitas mães preferiram manter seus filhos afastados.
Medidas de prevenção, como a interdição de bebedouros e limpeza dos talheres e louças com detergente e cloro, foram adotadas logo após o aparecimento dos casos, segundo a assessoria.
Os banheiros também estão recebendo atenção especial. Tanto o chão, como os vasos sanitários e pias, estão sendo lavados com cloro três vezes ao dia.