O Centro de Controle de Zooneses (CCZ) deve concluir em aproximadamente uma semana o cronograma de recolha dos 497 cães cujos exames de leishmaniose, segundo informações do CCZ, realizados entre janeiro e julho deste ano deram positivo. Depois desse prazo, passam a ser sacrificados apenas os animais entregues pelos seus proprietários, mesmo que não haja confirmação da doença.
Por cerca de dois meses, a coleta de sangue de cachorros deve permanecer interrompida porque a distribuição dos kits para diagnóstico da doença utilizados pelo Instituto Adolpho Lutz (IAL) foi suspensa. Conforme o JC publicou, a situação só será normalizada quando o insumo, produzido e distribuído pela Bio-Manguinhos/Fiocruz, for registrado no Ministério da Agricultura e Produção Animal.
Enquanto a situação perdurar, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não tem como estimar a quantidade de cães que serão submetidos à eutanásia. A dificuldade com números ocorre porque dos 497 cães com resultado positivo, por exemplo, nem todos foram ou serão sacrificados no CCZ.
Alguns morreram antes da recolha ou foram sacrificados em clínicas particulares, outros foram abandonados ou estão sendo mantidos vivos pela insistência da família onde vivem.
“Não dá para fazer previsões. É uma situação nova. Além disso, o percentual de positividade (cães com a doença) varia de área para área. A média da cidade é de 6%, mas na área de transmissão (bairros com maior número de casos) está caindo. 40% dos cachorros não têm sintoma da doença e dá positivo o exame”, diz a diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Maria Helena Abreu.
Por essa razão e para resguardar a saúde da população, a SMS decidiu sacrificar os cães sob suspeita que vivem onde a incidência de contaminação é grande, desde que com autorização dos proprietários. Nas áreas onde os número de casos é ínfimo, mesmo que apresente alguns dos sintomas da leishmaniose, o animal permanecerá de quarentena em casa até que seja possível fazer o exame de sangue.
A medida, embora antipática, segue a orientação da Secretaria Estadual da Saúde. No entanto, a recomendação não evitará que cães sem a doença também sejam sacrificados.
De acordo com o médico veterinário Otávio Volpato, outras patologias provocam sintomas semelhantes ao da leishmaniose e podem confundir leigos, como é o caso dos proprietários de animais. A hepatozoonese, que também afeta os órgãos internos dos cães, é um dos exemplos.
A erliquiose é uma outra moléstia que provoca febre, hepatite e nefrite no cão, diz ele. A leishmaniose ainda pode ser confundida com qualquer tipo de dermatite (problema na pele). Para confirmar a doença num animal, Volpato realiza três tipos de exames diferentes: o parasitário, os sorológicos (por meio de sangue) e um terceiro que é específico (PCR). Só então o diagnóstico é feito.
Tal cuidado é considerado ideal pela moradora da Vila Dutra, Sefora Cristiane da Silva Godoy, proprietária de três cães cujos exames realizados pelo CCZ deram negativo. Porém, ela diz que se um deles apresentar sintomas e ela não tiver como confirmar a doença, solicitará o sacrifício. “Tenho crianças. Não dá para arriscar”, argumenta.
Como a doença ameaça a saúde pública, caso Godoy autorizasse o sacrifício de um dos seus cães, o CCZ não estaria incorrendo numa iniciativa antiética ao proceder a eutanásia sem a confirmação da moléstia. É o que pensa o vice-presidente da Câmara de Ética em Experimentação Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, Stelio Luna. “Com autorização dos proprietários não há nem polêmica”, conclui.
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Caminhão
Começou a funcionar ontem em Bauru o caminhão do Departamento de Saúde Coletivo (DSC) adaptado com uma carroceria especial para recolher animais errantes da rua ou com suspeita de leishmaniose. No primeiro dia de trabalho do veículo, adquirido com verba federal, dez cães foram recolhidos, embora ele tenha capacidade para abrigar aproximadamente 20 animais.
O caminhão circulou por bairros como a Vila Dutra, Santa Edwirges e Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16), áreas consideradas foco da doença, que só neste ano contaminou 497 cães e 15 humanos, sendo que três pessoas morreram.
A doença atinge preferencialmente o fígado, o baço, os gânglios e a medula óssea, provocando processo infeccioso e anemia, que pode reduzir as chances de vida do paciente. Ela é transmitida a animais e homens através da picada do mosquito palha, que procria-se em material em decomposição.