Completando mais de 40 anos, o sistema econômico-administrativo, concebido em 1960 com a intenção de enfrentar a pobreza social do País, segue sem conseguir plenamente seu objetivo. Naqueles idos, a população mais pobre (50% do total) participava de quase 18% da renda nacional, a classe média (30%) ficava com 28%, ao mesmo tempo em que os mais ricos (20%) repartiam 54%. Um decênio depois o painel mostrava que 50% dos mais pobres baixaram seus rendimentos para menos de 15% da renda total, os 30% da chamada classe média desceram para menos de 23% e os 20% mais ricos subiram para 62%.
Contudo, em 1980, o grupo dos 20% mais ricos subiu para 68% da renda nacional enquanto o dos 50% mais pobres desceu para apenas 11,8%. Paralelamente, em 1960 os mais pobres ganhavam em média pouco mais de Cr$ 75 mensais e os mais ricos Cr$ 1.140,00, quase 17 vezes mais. Em 80, aqueles recebiam Cr$ 140,00 e estes Cr$ 4.700,00, ou sejam, 33 vezes mais. E hoje, quando os mais pobres auferem R$ 260 mensais como será o panorama? Não se pode afirmar que eles respirem aliviados no terreno financeiro, pois ainda não recebem no final do mês o suficiente para a manutenção de sua família, conseqüência exata da injusta política econômica, face à qual os ricos ficam cada vez mais abastados e faz os mais pobres tornarem-se sempre mais pobres, ao mesmo tempo que pouco atendidos pelos poderes públicos, uma vez que moram geralmente, nas distantes periferias, nas quais a infraestrutura é mal cuidada ou tardia.
Talvez pensem os prefeitos que todos os brasileiros não são iguais perante a lei, desde há muito libertaram-se da escravatura e, agora, estejam aí aspirando sua libertação social e econômica, melhor acolhidos pela sociedade e subsidiados com rendimentos antiinflacionários. Livraram-se da escravatura física, que lhes exigia esforços descomunais, mas permanecem com as econômicas ainda mais escravizantes, pois as inovações governamentais - programas definidos e projetos compreensíveis e viáveis não são concebidos e executados, circunscrevendo-se à negatividade.
Antes de mais nada impõe-se uma política nova para estes tempos novos. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado, é o jornalista responsável do JC). Mesmo sabendo que as rosas não falam, não se permita perder o romantismo. Mesmo sabendo que a vida é dolorosa em muitos momentos, não se perca a vontade de viver. Mesmo sabendo que muitas coisas no mundo escurecerão seus olhos, não perca a luz e o brilho do olhar.