O debate entre os oito candidatos a prefeito promovido pela TV Record, na noite da última segunda-feira, promoveu os primeiros confrontos de idéias e posturas em Bauru e abriu “frentes de batalhas” entre os quatro que disputam, neste momento, as duas vagas ao segundo turno, segundo recente pesquisa do Ibope. Durante cerca de duas horas, ficou evidente a estratégia de embate envolvendo, sobretudo, os quatro primeiros colocados na única pesquisa eleitoral oficial divulgada até aqui.
Pela ordem da pesquisa, Tuga Angerami (PDT), Caio Coube (PSDB), Estela Almagro (PT) e Luiz Carlos Valle (PSB) protagonizaram as primeiras rusgas do processo eleitoral deste ano. Contudo, o conteúdo ficou no âmbito das discussões políticas, sem ataques de cunho particular ou ofensivo à moral.
Mediado por Alexandre Alves, o debate da TV Record promoveu apresentação dos candidatos no primeiro bloco, com início às 22 horas. Mas o evento começou a esquentar no segundo bloco, com perguntas entre os candidatos.
Estela Almagro inaugurou a série com cautela, pedindo para Luiz Carlos Valle falar sobre sua política para o servidor público. Valle pregou ampla reforma, com redução no número de cargos de confiança. O candidato ainda indicou que pretende promover salários diferenciados para quem ganha menos, porém, sem explicar a fórmula.
Estela replicou que vai fazer revisão na grade salarial, mas também não teve tempo para informar como e defendeu a valorização e qualificação do funcionalismo.
Maria Cristina Romão (PCO) questionou Tuga Angerami porque este vem repetindo em seu programa eleitoral que Bauru é uma cidade “bela, justa e democrática”. Tuga comentou que a frase reflete que a sociedade é dinâmica e assegura as transformações sociais, apesar dos problemas administrativos. Romão combateu dizendo que a definição do candidato não combina com os problemas enfrentados pela classe trabalhadora.
Em seguida, Sandro Fernandes (PSTU) pediu que Maria Cristina falasse sobre o desemprego e o programa de privatizações no País. A candidata culpou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o atual, Lula (PT), pela venda de estatais. A menção da gestão petista ficou sem explicação, já que o atual governo freou o processo de desestatização.
Tuga Angerami convidou o tucano Caio Coube a explicar se daria tratamento igual ou diferenciado aos vereadores. Caio falou que iria preservar o bom relacionamento com o Legislativo e buscar o diálogo. Na réplica, Tuga alfinetou que o programa tucano coloca lideranças como o governador Geraldo Alckmin (PSDB) indicando que vai dar tratamento melhor a Bauru caso Caio vença as eleições. O tucano retrucou que é natural que Alckmin peça votos para o candidato de seu partido, o PSDB.
Antonio Marsola (PPS) indagou que Estela Almagro afirma que é preciso “gente competente” para asfaltar a cidade. Estela devolveu a provocação afirmando que incompetente é o prefeito que representa a candidatura de Marsola, ou seja, Nilson Costa (PTB), cujo partido, aliás, apóia a petista.
Caio pediu que Clodoaldo Gazzetta (PV) elencasse suas prioridades de governo. Gazzetta falou em qualidade de vida, passando por saúde, educação e meio ambiente. Caio tentou se valer da estratégia de formular pergunta com o objetivo de permitir, na réplica, a divulgação de suas próprias prioridades: emprego, asfalto, tratamento de esgoto e saúde.
Valle fez o mesmo com Sandro, ao pedir que o candidato do PSTU mencionasse seu programa para a área de saúde. Sandro falou em informatização do sistema e da reestruturação da rede básica de atendimento. Na réplica, Valle afirmou ter sido o primeiro a defender a instituição da gestão plena de saúde no Município.
Gazzetta fechou o bloco pedindo para Marsola comentar que alguns candidatos defendem a instalação de farmácia popular, programa do governo federal destinado somente a cidades metropolitanas neste momento. Marsola falou, genericamente, que a idéia é viável, mas sozinha não resolve. Ele defendeu a adequação da rede de distribuição de remédios.
Gazzetta mostrou, no comentário, que escolheu a pergunta para advertir que o atual sistema de saúde impossibilita às prefeituras comprar remédios. Ou seja, a farmácia popular seria uma promessa sem aplicação. Marsola fechou o bloco protestando que o governo federal não repassa o que deveria para as necessidades na área de saúde.
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Alfinetadas
O confronto entre os candidatos surgiu em outros dois blocos do debate organizado pela TV Record. Abaixo, outros embates surgidos durante o programa:
• Sandro Fernandes disse a Tuga Angerami que é preocupante defender o uso de verba da aposentadoria do servidor para financiar o tratamento de esgoto. Tuga disse que a proposta era apenas uma idéia em discussão.
• Tuga corrigiu Sandro que a dívida da prefeitura com a previdência não é de R$ 43 milhões, como este havia afirmado, mas de R$ 63 milhões.
• O tucano Caio Coube alfinetou que o ex-deputado Tuga não representou a cidade no Congresso, mas segmentos sociais. Tuga rebateu que seu comportamento no Congresso não mudou, mas o PSDB, partido ao qual pertencia na época, é que alterou seu programa social democrata ao alcançar o governo.
• Caio atribuiu a resposta de Tuga à conveniência de “políticos rodados”. Tuga devolveu que Caio não tem experiência na vida pública e que um partido não pode trair o eleitorado, como teria ocorrido com o PSDB.
• Valle classificou como lamentável a política carcerária do PSDB e alertou que os tucanos querem instalar mais uma unidade da Febem em Bauru. O bate-bola contra os tucanos contou com a contribuição de Tuga que defendeu a revisão do programa de instalação de presídios na cidade.
• Gazzetta insinuou que tem candidato que pode passar o Departamento de Água e Esgoto (DAE) de autarquia para empresa de economia mista, vendendo ações. Sandro aproveitou o ensejo e criticou, pregando a extinção de cargos para tratar o esgoto.
• A professora Maria Cristina Romão criticou o governo tucano por não conceder aumentos salariais para a categoria há nove anos. Caio Coube amenizou o confronto defendendo a priorização da educação infantil e a revisão na estrutura salarial.
• Estela lançou para Caio Coube a preocupação com o desemprego com a venda recente da Tilibra, empresa que foi presidida pelo tucano. Caio disse que não há risco de desemprego e que a atividade produtiva da empresa vai ser ampliada pelo grupo americano que a adquiriu.
• Marsola provocou Valle sobre sua proposta de fomentar emprego para jovens citando que existem 60 mil nessa faixa etária na cidade. Ao invés de responder como atenderia a todos, Valle retrucou que o governo atual, da qual Marsola pertenceu, esbanja dinheiro com cargos de confiança sem necessidade.
• Marsola emendou que Valle não conhece a estrutura da administração municipal em relação à ocupação de cargos. Valle criticou que a administração sonega informações aos vereadores e que existiriam servidores que recebem salário sem trabalhar. A acusação foi feita sem menção a caso concreto.