São Manuel - O relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investigou um suposto uso indevido de veículo oficial da Prefeitura de São Manuel (69 quilômetros a sudeste de Bauru) por quatro servidoras foi rejeitado ontem de manhã.
O documento foi submetido a análise interna dos próprios membros da CEI. Após um empate em dois a dois, o presidente da comissão, Dener Caio Castaldi (PPS), votou pela rejeição do relatório e arquivamento da denúncia.
O vereador justificou seu posicionamento contra o relatório alegando que o mesmo teria “perdido seu objeto”. Ou seja, na conclusão dos trabalhos, o relator Saulo Brombini (PL), pediu que o prefeito Flávio Roberto Silva (PSB) respondesse por prevaricação e improbidade administrativa por não ter afastado as servidoras.
Na avaliação do vereador Castaldi, não era as ações do prefeito que estavam em discussão na CEI, mas a atitude das quatro funcionárias municipais. “O prefeito não foi investigado. Por isso, o relatório não poderia envolvê-lo na denúncia”, argumentou o presidente da comissão.
Na opinião do prefeito Flavinho Silva, como é mais conhecido, a inclusão de seu nome no relatório teria tido uma motivação política. “Ele (o vereador Brombini) tentou fazer política. Porque eu não fui chamado nem ouvido pela CEI. Eu não fui objeto de investigação”, declarou.
O relator, por sua vez, negou qualquer conotação política em sua conclusão. Segundo ele, se fosse essa a finalidade da denúncia ela teria sido feita mais próxima da eleição e não no começo deste ano, como ocorreu. Brombini foi quem apresentou na Câmara o suposto uso indevido de veículo oficial.
Além de acusar o prefeito de prevaricação e improbidade administrativa, o relatório pedia ainda a instalação de uma Comissão Processante (CP), que poderia resultar na cassação de Flavinho Silva. O pedido foi igualmente recusado e arquivado.
Além de Brombini, o vereador Francisco Moscateli Neto (PMDB) também votou a favor do relatório. Os votos contrários foram dos vereadores Emílio Aparecido Guimarães (PSB) e Wilson José Inocente (PSDB). Castaldi, na condição de presidente da CEI, desempatou a votação, decidindo pelo arquivamento das denúncias.
Apesar de contrariado com o resultado de ontem, Brombini mostrou-se, de certa forma, esperançoso ao comentar que as denúncias também estão sendo investigadas pelo Ministério Público (MP).
Em junho, o promotor Alex Ravanini Gomes, de São Manuel, protocolou uma ação civil pública na qual ele pede a reparação do suposto dano que teria sido provocado aos cofres do município, a perda do cargo das servidoras, suspensão dos direitos políticos das quatro e multa civil.
A reportagem não conseguiu falar ontem com o promotor, mas segundo foi apurado a ação continua em tramitação na 1.ª Vara Cível de São Manuel, onde corre em segredo de Justiça.
____________________
Viagem a São Paulo
A viagem das quatro servidoras municipais ocorreu no fim de abril. O vereador Saulo Brombini (PL) alega ter recebido uma carta anônima no dia 26 de abril com cerca de 40 fotos e uma fita de vídeo.
As imagens mostram as funcionárias fazendo compras em lojas de confecções e lingeries nas ruas Oriente e 25 de Março, em São Paulo. As gravações em vídeo mostram o momento em que elas guardam várias sacolas dentro do porta-malas do carro oficial, com a placa do Poder Executivo.
Entre as funcionárias estavam a diretora de Saúde e irmã do prefeito, Maria Cecília Massarelli Silva Lossurdo, a diretora da Promoção Social, Lilian Tedesco Fusco, nora do vice-prefeito Luiz Lúcio Forte (PSDB), Andrea Abilio e Cristiane Lorençon.
O prefeito Flávio Roberto Silva (PSB), o Flavinho, declarou, na época, que elas teriam ido a São Paulo para atualizar um programa de faturamento na área da saúde e aproveitaram para buscar 500 porta-comprimidos, que serviriam como brindes durante a campanha de vacinação dos idosos.
A prefeitura alega que a empresa responsável pela comercialização do material teria deixado os brindes em uma loja para facilitar a entrega.
Além disso, as diretoras teriam aproveitado para fazer um orçamento de calcinhas, cuecas, meias infantis e de adulto para distribuição durante campanha de vacinação contra gripe e paralisia infantil.
Ontem, o prefeito disse que não afastou as funcionárias, como queria o vereador Brombini, porque, por enquanto, nada teria sido provado contra elas. “Enquanto não se provar que houve algo errado, elas continuarão trabalhando”, declarou. “E se elas forem consideradas inocentes? Seria injusto e ficaria difícil reparar isso”, argumentou o prefeito.