Temos aí na nossa frente um país para ser efusivamente admirado em razão da expressividade das imagens com que foi ornamentado pela generosidade da natureza. São florestas vastíssimas e exuberantes, orla marítima canalizando o verde de suas ondas, desde o Amazonas ao Rio Grande do Sul, praias belíssimas, rios romanticamente encachoeirados como o São Francisco, o Paraná e o Tietê e, no amplíssimo contexto territorial, cidades gigantescas com milhões de arranha-céus e demais atrações urbanísticas, como mostra diariamente a prodigiosa imaginação da prezada colega Eliane Barbosa, em páginas do “melhor jornal do nosso mundo” e traços e cores que realmente encantam. Mas, quantos brasileiros e advenas já tiveram a grata ventura de ter tudo isso diante de seus próprios olhos merecidamente admirados? Nem todos e não muitos, porque o enorme prazer lhes custaria milhares de reais, possuídos por poucos que vivem em uma nação de maioria pobre ou apenas remediada. Contudo, as possibilidades deveriam constituir a máxima dos poderes públicos, considerando ser isso não só gesto de solidariedade de seus dirigentes como principalmente inegável patriotismo. Felizmente, isso vai acontecer, ainda que em futuro incerto e não sabido, pois o Ministério de Turismo, recentemente criado na esfera federal, vai cuidar do que falta para que as nossas massas humanas sejam atendidas nos seus anseios turísticos, quais sejam os de conhecer a real fisionomia de sua imensa pátria. É suficiente para tanto a verba de 308 milhões de reais posta à sua disposição pelo Tesouro Nacional para possibilitar o desenvolvimento do setor, favorecendo a locomoção e a hospedagem do povão, que ainda desconhece o que de belo e ilustrativo possui este grande Brasil e que o cipoal da pobreza até agora não permite nem vislumbrar e muito menos ver de perto para gritar: Viva o Brasil! Uma nação assim tão grande não pode deixar de ter um turismo equivalente em tamanho e custo! É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado e jornalista responsável do JC. “Na medida em que fores grande deverás praticar a humildade e assim encontrarás a graça de teu Criador, pois muitos são altaneiros e ilustres, mas é aos humildes que se revelam os mistérios da vida”.