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Moradores se unem contra leishmaniose

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Os moradores do Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16), um dos bairros mais afetados pela leishmaniose no município, decidiram se mobilizar para tentar acabar com possíveis focos do mosquito-palha, transmissor da doença, que se prolifera no lixo orgânico em decomposição. Ontem, eles passaram o dia trabalhando em esquema de mutirão para limpar terrenos e casas.

A iniciativa foi da Associação de Moradores do bairro e contou com apoio de equipes da prefeitura, Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Tiro de Guerra, Universidade do Sagrado Coração (USC), Pastoral da Saúde e do Programa Escola da Família, além de uma empresa que forneceu caçambas para o depósito do material.

“A associação sempre pensou em fazer alguma coisa nesse sentido, mas nunca teve recursos para isso. Fomos procurados por um funcionário da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) que sugeriu o mutirão e, a partir disso, organizamos essa campanha em parceria com outros órgãos”, conta o presidente da entidade, Luiz Antônio Alcides.

Em poucas horas, os caminhões utilizados para recolher o lixo ficaram repletos de galhos de árvores, entulho e outros materiais. Alguns moradores também aproveitaram o mutirão para se desfazer de móveis velhos e entregaram até mesmo sofás às equipes de coleta.

A dona de casa Valéria Gonçalves aprovou o mutirão. “Há terrenos do bairro em que a pessoa vem de longe só para jogar lixo. Depois, colocam fogo e a fumaça causa alergia às crianças”, reclama.

Gonçalves afirma que, há poucos dias, seu cão precisou ser sacrificado depois que o exame constatou que o animal estava com leishmaniose. “Ele estava lindo, mas tenho uma criança em casa e preferi entregá-lo para não correr riscos”, relata.

Vizinha dela, a dona de casa Judith da Silva também comemorou a realização do mutirão. “É uma iniciativa importante. A gente tem o hábito de ir colocando sempre o lixo para fora, mas nem todo mundo age assim”, comenta.

Conscientização

Para o presidente da Associação de Moradores do Bauru 16, a limpeza simultânea do bairro é importante, mas não basta. “Não vamos conseguir reverter uma situação de uma hora para outra. Para que isso seja feito, é preciso promover palestras educativas e realizar um trabalho de conscientização junto às pessoas”, projeta.

Ele acredita que, por ter registrado vários casos de leishmaniose, o Bauru 16 tem de dar o exemplo. “Para acabar com a doença, é preciso arrumar a casa primeiro. Se o bairro é um dos principais focos do mosquito, temos que começar por aqui”, diz.

Neste ano, a leishmaniose já contaminou 15 pessoas em Bauru e três delas morreram. Desse total, quatro casos foram registrados no Bauru 16, entre eles o da dona de casa Rosemary Lopes, que morava no bairro e morreu em maio.

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