Saúde

Eles só fazem mal em excesso

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, os aditivos químicos só fazem mal quando ingeridos em excesso. A afirmação é do professor de química Laurindo Cattache Júnior. Segundo ele, antes de serem adicionados aos alimentos, todos esses produtos foram testados e avaliados quanto a possíveis problemas ao ser humano. Um dos critérios leva em consideração a quantidade máxima diária que pode ser ingerida.

“Antes da aprovação de seu uso na indústria, os aditivos são testados em animais para determinar os eventuais efeitos tóxicos a curto e longo prazos”, informa. Ele explica que estes testes monitoram o comportamento dos animais, seu crescimento, taxa de mortalidade, reprodução, química do sangue e desenvolvimento de tumores durante um período de 90 dias.

“A partir destes estudos, determina-se a menor quantidade daquele aditivo que não produz nenhum efeito tóxico. É o que a gente chama NOEL: No-effect level (do inglês, nível sem nenhum efeito). Este valor é, geralmente, dividido por 100 para se obter o máximo ADI: acceptable daily intake (do inglês, ingestão diária tolerada)”, descreve.

Para se ter uma idéia, o ADI do conservante ácido sórbico é de até 25 miligramas por quilo de peso. Isso significa que um indivíduo com 60 quilos poderia ingerir até 1.500 miligramas da substância em um único dia sem qualquer efeito nocivo. O problema é que os rótulos raramente trazem a quantidade de aditivos presentes nos produtos, tornando difícil para o consumidor fazer essa conta.

O professor defende, no entanto, que os aditivos (conheça os principais e as razões para utilizá-los nos quadros abaixo) são, na verdade, importantes aliados do ser humano. Os conservantes, por exemplo, ao impedir a proliferação de microorganismos,permitem que um alimento seja guardado por muito mais tempo do que ele suportaria em estado natural.

A recomentação de Cattache Júnior é usar sempre o bom senso. Ele salienta que qualquer coisa ingerida em demasia pode ser um veneno à saúde. Até a água: em quantidade exagerada, ela retira o sódio do organismo, causando distúrbios graves. Para uma pessoa com insuficiência renal,um volume grande de água também intoxica.

“As pessoas devem saborear os alimentos, mas sem excessos. E devem ter a curiosidade de observar os rótulos, ver o que estão comendo, saber um pouco mais sobre esses produtos químicos”, destaca o professor.

“Uma criança, por exemplo, deve ingerir somente pequenas porções de alimentos que contenham produtos químicos. Não porque a criança não pode comer alimentos industrializados, mas porque o peso dela é menor e ela pode atingir a dose máxima tolerada comendo muito menos que um adulto”, adverte.

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