Tribuna do Leitor

Bauru Ferroviária


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Estou lendo o livro “Nos Trilhos da Memória: Trabalho e Sentimento”, editado pela Secretaria da Cultura de Bauru. Trata-se principalmente de depoimentos de velhos ferroviários da Companhia Paulista e Fepasa. As falas dos entrevistados foram devidamente decodificada em textos elaborados com fidelidade pelos pesquisadores/entrevistadores. Muito saudosismo de sentido pessoal, profissional e político nessa História contada pelos próprios protagonistas. Bacana, isso. Também fui ferroviário da Paulista, trabalhei por apenas 800 dias no Departamento de Contabilidade e Estatística do Escritório Central, em Jundiaí. Foi no auge da II Guerra Mundial, quando a ferrovia operava no máximo da sua capacidade. Minha função era contabilizar os documentos de despachos de encomendas efetuados pelas pequenas ferrovias administradas pela Paulista: Barra Bonita, Jaboticabal, Morro Agudo e São Paulo Goiás. Saí para ingressar no IBGE poucos meses depois da Guerra acabar. A minha seção ficava num amplo salão. As mesas eram altas e de tampão inclinado, que se abria para o espaço onde a gente guardava os papéis e outras coisas. Dava para trabalhar em pé ou sentado na cadeira alta. Semanalmente os funcionários recebiam uma toalha de mão para trocar pela anterior. Todos recebiam seu rolo próprio de papel higiênico. Na troca de lápis era preciso entregar o toco ao chefe da seção. A mesa dele era a última do salão, sendo que todos os subordinados ficavam de costa para o chefe que observava discretamente o comportamento da turma. Qualquer observação que devia fazer ele vinha à mesa do subordinado e falava baixinho para que os outros não ouvissem. O ambiente era de muita disciplina, mas sempre cordial e solidário. A jornada de trabalho era de seis horas, das onze da manhã às cinco da tarde, de segunda a sexta-feira. PS - Bauru continua sendo importante entroncamento ferroviário, agora só de trens de carga.

Omar Barreto - RG. 5.663.388-9

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