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Falando de Independência


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Registra a velha história da evolução demográfica que, no início do outro século, a juventude alemã passou a adotar hábitos de vida completamente independentes dos tradicionais, herdados de seus pais e também de seus antecessores. Foi tão longe, derrubando tantos obstáculos que acabou ganhando o cognome de “Wandervogce” (aves de arribação), unidos pelo mesmo amor à aventura, pela sede de novidades e busca de novas sensações. E evidente que não pretendiam os jovens, com base em tal postura, simplesmente excluir os adultos do seu jogo, considerando-os, talvez, gente incômoda por natureza. Não, não era isso, pois, felizmente, a suposição não aconteceu, pois continuaram e continuam existindo famílias, em grande número, nas quais foi dado o grito de independência e imperam confiança, o amor e mútuo respeito entre as pessoas de todas as idades e ambos os sexos.

É que ninguém pretende desconsiderar ninguém e, quanto à juventude, o que ela realmente aspira, acima de tudo, é determinar para sua vida modelos vivos que ela possa admirar, entre os quais escritores, poetas, estrelas de cinema e televisão e, igualmente, campeões de esportes em geral como os revelados pelas recentes Olimpíadas gregas, que não só os jovens mas o mundo inteiro acompanhou entusiasmado, astros assim que nem sempre serão jovens com os outros, sendo na maioria adultos e até mesmo (porque não?) abastadamente idosos, de onde se parte para a consciência de que não podem os pais, em época nenhuma, abrir mão do dever de servirem de modelos exemplares para seus filhos adolescentes, ensinando o que lhes possa ser útil, no futuro, em palavras e atitudes. Têm que sê-lo para que os meninos e meninas cresçam ganhando posturas que sejam modernas e positivas ao mesmo tempo, resultando em um companheirismo admirável, que não será unicamente uma transmissão de experiências, mas um estímulo para não parar no caminho ou não se acomodar nas alturas eventualmente alcançadas, distanciando-se daquilo que já foi apaixonadamente conseguido. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado, é o jornalista responsável do JC). A tolerância é árvore dotada de raizes muitas vezes amargas, mas produz geralmente frutos muito doces.

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