Tribuna do Leitor

BEATLES E O MASSACRE NA RÚSSIA


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Esse final de semana, após ter acompanhado, pelos noticiários, o final sangrento do seqüestro na escola russa, também fui aos shows que houve em Bauru, em homenagem aos Beatles, das bandasRevolution e Robber Soul.

Ambos os shows foram muito bonitos, mas, em determinado momento, confesso que senti uma nostalgia, uma tristeza... fiquei comovida. Tudo veio em minha mente, a imagem das crianças mortas, o desespero na face das pessoas, os jovens rindo e se divertindo durante o show, o que os Beatles representaram para a juventude da década de 60, o movimento hippie, a guerra do Vietnã. As letras das músicas me tocaram - “todos nós queremos mudar o mundo” ou - “você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único, junte-se a nós e o mundo será um só”.

Quanto idealismo! Hoje, vendo a imagem daquelas crianças, o futuro morrendo diante de nossas telas de TV. Ninguém sente mais nada quando vê ou ouve certas coisas. Estamos todos anestesiados diante do terror, da violência. Após quarenta anos de Beatles, não existe mais para a juventude a dimensão política das letras das músicas. Tudo apenas setornou objeto de consumo, a música não significa mais instrumento de luta, de resistência e nem sei se um diarealmente significou.

Estamos diante da banalidade da barbárie e é muito triste perceber que Johnrealmente foi um lunático, um sonhador, no bom sentido. Porque diante dessa realidade que vivemos hoje, parece impossível sonharmos com um mundo melhor. Defender a paz e o amor tornou-se, decididamente, algo para ‘loucos’... nesse mundo ‘são’... (Maria Rosa A. Marques - RG 20.064.937-1)

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