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Clima seco muda rotina de bauruenses

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Há um mês, a dona de casa Dionice Arari Madureira está alterando seus hábitos diários. Mãe de Cleyton Douglas Batista, 10 anos, e Kallyandra Vitória Madureira Batista, 1 anos, ela passou a espalhar bacias e toalhas molhadas pela casa, caprichar na hidratação da família e evitar andar com as crianças nos horários de maior calor. Além disso, começou a freqüentar o Pronto- Atendimento Infantil (PAI) mais vezes, devido ao agravamento da bronquite de seu filho, que anteontem precisou fazer inalação.

A nova rotina de Dionice reflete a conduta de grande parte da população bauruense, que modificou hábitos para combater doenças respiratórias e o desconforto provocado pela baixa umidade relativa do ar, cuja média na cidade foi de 27% na tarde de ontem, segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

O índice local está sete pontos acima da faixa considerada de atenção pela Companhia Estadual de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb), que é de 20% - mesmo valor registrado anteontem em São Paulo. No mesmo dia, em Goiás, Campo Grande (MS) e Triângulo Mineiro, a umidade relativa atingiu a mínima de 15,6%, índice que indica estado de alerta.

A sensação de clima seco também alterou a programação de exercícios físicos dos 28 jogadores profissionais do Esporte Clube Noroeste (ECN). O treino, que em outras estações ocorre duas vezes por dia, passou a ser realizado apenas no período da manhã, aponta o preparador físico do time, Ademir Afonso. “Estamos adotando uma sobrecarga na hidratação dos jogadores, além de suplementação alimentar a base de aminoácidos e sucos. Colocamos também mais intervalos durante os treinos”, conta.

O estudante Rafael Bergamini dos Santos, que faz musculação diariamente em uma academia da cidade, foi outro bauruense que redobrou seus cuidados com a hidratação. “Me sinto mais cansado agora por causa do calor e do clima seco. Passei a beber mais água, encho minha garrafa umas cinco vezes aqui na academia”, diz.

A auxiliar de enfermagem Rosimeire Galdino, que pratica exercícios em uma academia, concorda com Rafael. “Estou mais cansada justamente por essa falta de umidade no ar. Para amenizar, coloco uma bacia com água no quarto e minha filha está levando uma garrafa de água na escola”, destaca.

As principais conseqüências da baixa umidade são o ressecamento da pele e das mucosas, irritação nos olhos, sangramento no nariz e complicações alérgicas e respiratórias. Para amenizar a sensação de clima seco, os médicos recomendam alterar os horários dos exercícios físicos, intensificar a hidratação do organismo e umidificar o ambiente, entre outros cuidados.

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51 dias de estiagem

A baixa umidade do ar em Bauru é resultado da altas temperaturas associada à ausência de chuvas, que chegou ontem a 51 dias na cidade. Esse perfil é uma característica do inverno, que vai de 20 de junho a 22 de setembro, explica o meteorologista do IPMet Adelmo Antônio Correia. “A umidade do ar é inversamente proporcional à temperatura. Quanto mais elevada ela for, mais baixa será a umidade”, diz.

Ontem, a temperatura máxima registrada na cidade foi de 35 graus; anteontem, ela atingiu 33,8 graus. Os índices acompanham as máximas apontadas no mesmo período do ano passado, cuja média foi de 35 graus, segundo o IPMet. A baixa umidade relativa é causada por uma massa de ar seco sobre alguns estados do Centro-oeste e Sudeste, associada a um sistema de baixa pressão, que não permite o avanço da frente fria vinda do Sul do País.

A tendência do tempo para hoje deve repetir o mesmo quadro de altas temperaturas e baixa umidade do ar registrados nos últimos dias. Não está prevista ocorrência de chuvas em todo o Estado. Para amanhã, segundo o IPMet, a previsão é de aumento da nebulosidade, com chuvas fracas em pontos isolados do Estado. “Haverá uma ligeira queda de temperatura máxima, no domingo”, adianta Correia.

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