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Apesar do mesmo nome, as doenças são diferentes

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Embora o nome seja o mesmo, as diferenças entre a leishmaniose visceral e a cutânea (tegumentar) são muitas. A diversidade começa pelo tipo de protozoário que provoca a doença. No primeiro caso, ele atinge preferencialmente o fígado, o baço, os gânglios e a medula óssea, provocando processo infeccioso e anemia, que pode reduzir as chances de vida do paciente. Em Bauru, das 15 pessoas que contraíram a doença neste ano, três morreram.

Menos grave, a leishmaniose cutânea se caracteriza por feridas na pele, geralmente indolores e que podem cicatrizar mesmo sem tratamento. Porém, posteriormente, existe o risco dela atacar cartilagens como a do nariz, diz o dermatologista do Instituto Lauro de Souza Lima Somei Ura.

Nos dois casos, a doença pode ser confundida com outras. A tegumentar pode se assemelhar a uma espinha, a um tipo especial de micose ou a um câncer de pele. No pênis, pode parecer uma doença venérea. “Se a úlcera (ferida) demorar para cicatrizar, a pessoa deve procurar assistência médica”, recomenda o dermatologista. Já o diagnóstico da visceral é próximo ao da leucemia.

Os dois tipos de leishmaniose são transmitidos ao homem e aos animais pelo mosquito palha infectado. Ele se prolifera em material em decomposição. O inseto se contamina ao picar um animal que contraiu o protozoário.

Também chamado de reservatório, o cão é o animal mais comum para o tipo de protozoário causador da visceral. Já no caso da cutânea são os roedores silvestres, como os ratos e os gambás. “As medidas de controle são as mesmas”, enfatiza a diretora do DSC, Maria Helena Abreu.

De acordo com ela, a leishmaniose cutânea também é conhecida como “úlcera de Bauru”, por ter sido diagnosticada e descrita no Lauro de Souza Lima.

“No início do século, com a chegada da ferrovia, a doença era comum porque o homem entrou no local onde viviam o mosquito e os roedores. Depois, com a descoberta do tratamento e o desmatamento, a doença diminuiu”, conclui Ura, ao comentar sobre a leishmaniose tegumentar.

Segundo ele, um homem só transmite ao outro a doença na forma cutânea se o mosquito picar a ferida, se contaminar com o protozoário e depois picar uma outra pessoa, situação considerada muito rara.

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