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Mapa aponta onde está a felicidade

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

O administrador de fazendas Marcelo Lima é solteiro, está cursando o ensino superior e tem renda mensal acima de R$ 5.554,00, ou seja, apresenta praticamente todas as características do bauruense feliz, segundo pesquisa patrocinada pelas empresas de consultoria Sampling e Limite. O levantamento teve como objetivo apontar, a partir de entrevistas, o perfil ideal para alcançar o grau máximo de contentamento.

“Dentro das expectativas profissionais, ainda tenho um longo caminho a percorrer, mas posso dizer que me sinto realizado. Acredito que todos têm um destino e as pessoas precisam aprender a encará-lo”, comenta Marcelo, de 37 anos.

Para chegar à conclusão que o administrador de fazendas tem o perfil regional da felicidade, os pesquisadores passaram 18 dias ouvindo cerca de 6 mil pessoas em todo o Estado. Na região de Bauru, que inclui Marília, Assis, Lins e Campos Novos Paulista, foram aplicados 410 questionários.

Com base nas respostas, foi possível apontar que, de zero a 10, regionalmente os homens têm, em média, índice de satisfação 7,12, contra 6,1 das mulheres. Os solteiros têm grau de contentamento 6,78, valor que cai para 6,02 entre os viúvos.

Em termos de escolaridade, o estudo apontou que os mais felizes são aqueles que estão cursando ou já cursaram o ensino superior. De acordo com o levantamento, quem ganha mais de R$ 5.554,00 é muito mais contente (índice 7,58) do que quem recebe até R$ 262,00 (índice 5,5). Profissionalmente, quem atua no setor agropecuário demonstrou grau de felicidade 9,08, contra 5,2 dos desempregados.

Marcelo não respondeu à pesquisa, mas se encaixa no perfil do cidadão feliz. Ele trabalha há 16 anos como administrador de fazendas e está no emprego atual desde 1998. Com curso técnico em agropecuária no currículo, estuda agora administração de empresas.

Para ele, o dinheiro faz parte da felicidade, mas ela também é formada por outros fatores. “Você pode ir a um restaurante caro, mas não há nada que substitua a comida da mãe, que é feita com carinho”, argumenta.

Oposto

Na direção contrária a de Marcelo está a catadora de papel Neide Borges da Silva, que mora na favela do Ferradura Mirim. Apenas dois anos mais velha que o administrador de fazendas, ela é viúva e cria oito filhos com uma renda mensal média de R$ 60,00, características que a tornam uma pessoa descontente pelos critérios da pesquisa.

Neide concorda e não tem dúvidas que o dinheiro traz felicidade. “Sem ele, nós não somos nada. Com dinheiro, até os problemas ficam melhores”, opina.

Ainda de acordo com o estudo, as pessoas mais felizes são aquelas que têm entre 16 e 24 anos (índice 7,07), enquanto as mais infelizes têm 55 anos ou mais (índice 5,99).

Um dado curioso é que, na região, o maior grau de contentamento em relação à habitação foi verificado entre aqueles que moram em imóveis alugados (índice 7,19).

“É uma constatação diferente da verificada nas outras regiões do Estado, mas não tenho uma explicação para isso. Foi o que as pessoas da região declararam”, comenta o diretor da Sampling Consultoria, Sérgio Rodrigues.

Entre as regiões, a de Bauru é a que apresenta o quinto maior índice de felicidade. A Capital lidera a pesquisa, seguida pelo Litoral, região Oeste Paulista e Vale do Paraíba. O ABCD está em último lugar.

Embora os perfis sejam parecidos, principalmente em termos de salários, sexo e grau de escolaridade, há algumas variações entre as regiões. Na de Ribeirão Preto, por exemplo, os casados e com casa própria são os mais felizes.

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