Bairros

Centro também é pólo de atração

Thaís Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

proximidades, outros preferem

morar no Centro, ainda

que longe da faculdade.

O estudante de arquitetura

da Universidade Estadual

Paulista (Unesp) Caio Higa,

21 anos, é um deles. Ele mora

em Bauru há dois anos e

sempre no Centro. “A maioria

das pessoas com quem eu

convivo mora perto do Centro”,

afirma.

O universitário afirma que

viver no Centro é uma tentativa,

entre outras coisas, de conhecer

e se relacionar melhor

com a população natural do

município.

“A gente tenta interagir

mais com a cidade de Bauru

e não ficar fechado no eixo

Unesp - shopping. A gente

tenta conhecer um pouco

mais a cidade, viver mais o

Centro, saber o que está acontecendo

em outros locais”, argumenta.

Na opinião do estudante, a

maior parte das repúblicas

“de verdade” estão localizadas

na região central. “Acredito

que as pessoas que moram

no Centro têm uma visão um

pouco diferente das pessoas

que preferem morar perto da

faculdade”, expõe.

Caio destaca que o valor

dos aluguéis de imóveis na região

central geralmente são

mais acessíveis. Apesar disso,

o fator decisivo para a escolha

do bairro é o perfil do aluno,

segundo o universitário.

“Depende mais de gosto

mesmo. Tem uma parte dos

estudantes que prefere morar

perto da Unesp ou do shopping

por uma certa comodidade,

por estar perto das lojas,

do Mc Donald’s. Outros, preferem

morar no Geisel, que está

perto da Unesp, mas longe

de muitas outras coisas. Lá

também é complicado pegar

ônibus”, salienta.

O transporte, aliás, é outro

aspecto relevante para o

estudante na hora de escolher

um bairro para montar a

república. Por

esse motivo, a

grande maioria

dos universitários

acaba se

alojando nas

proximidades

da avenida Nações

Unidas, onde

a carona ou

o ônibus para a

faculdade são

garantidos.

“Se nos afastarmos da avenida

Nações Unidas, começa

a complicar pela questão do

transporte. Se ficasse muito

longe, teríamos de pegar um

ônibus até o Centro para depois

pegar outro

até a faculdade.

Para o aluno, fica

complicado

financeiramente.

Não dá para

gastar mais com

essas coisas”, reforça

Caio.

Outro aspecto

importante do

Centro, na opinião

do estudante

de arquitetura, é a possibilidade

maior de fazer festas nas

repúblicas. Por ser um bairro

predominantemente comercial,

os problemas com vizinhos

não são tão grandes quanto

em bairros residenciais.

Na república de Caio, a “tática”

funcionou durante um

ano. Nesse período, os rapazes

não receberam reclamações.

“Nunca tivemos problemas

com os vizinhos. No ano

passado, estávamos dando

muitas festas e os eles sempre

compreendiam. Só que agora

começou a complicar e tivemos

de dar uma cortada nas

festas”, diz.

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Vizinhança

Enquanto comerciantes gostam da

concentração de universitários em seus

bairros, a vizinhança que mora perto de

repúblicas muitas vezes reclama.

É o caso de uma moradora do Jardim

Higienópolis que não quis se identificar.

“Eu não lido com isso (repúblicas).

Eu suporto. Porque acontece de tudo -

festa a noite inteira até às 5h ou 6h da

manhã; barulho com algazarra; música

alta, etc. Eles são descomprometidos

e só têm o problema de estudar”, diz.

Quando o barulho é excessivo, a

moradora afirma que se vê obrigada

a fechar portas e janelas para tentar

abafar o som.

“Não vou dizer que eles perturbam

todo o tempo. Mas tem momentos

em que eles perturbam. A música

deles é muito alta e às vezes dura a tarde

inteirinha. Às vezes, tem ensaio de

banda. Eu preciso fechar a casa ou sair

de casa”, agrava.

Outra moradora do bairro que também

não quis se identificar concorda.

“Tem umas repúblicas por aí que realmente

são difíceis. Eles fazem barulho,

fazem muitas festas. E não fazem numa

sexta-feira. Fazem no meio da semana.

Fica difícil”, frisa.

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