Enquanto alguns universitários
optam por bairros próximos
às universidades e bastante
cômodos, na medida
em que oferecem grande
quantidade de serviços nas
proximidades, outros preferem
morar no Centro, ainda
que longe da faculdade.
O estudante de arquitetura
da Universidade Estadual
Paulista (Unesp) Caio Higa,
21 anos, é um deles. Ele mora
em Bauru há dois anos e
sempre no Centro. “A maioria
das pessoas com quem eu
convivo mora perto do Centro”,
afirma.
O universitário afirma que
viver no Centro é uma tentativa,
entre outras coisas, de conhecer
e se relacionar melhor
com a população natural do
município.
“A gente tenta interagir
mais com a cidade de Bauru
e não ficar fechado no eixo
Unesp - shopping. A gente
tenta conhecer um pouco
mais a cidade, viver mais o
Centro, saber o que está acontecendo
em outros locais”, argumenta.
Na opinião do estudante, a
maior parte das repúblicas
“de verdade” estão localizadas
na região central. “Acredito
que as pessoas que moram
no Centro têm uma visão um
pouco diferente das pessoas
que preferem morar perto da
faculdade”, expõe.
Caio destaca que o valor
dos aluguéis de imóveis na região
central geralmente são
mais acessíveis. Apesar disso,
o fator decisivo para a escolha
do bairro é o perfil do aluno,
segundo o universitário.
“Depende mais de gosto
mesmo. Tem uma parte dos
estudantes que prefere morar
perto da Unesp ou do shopping
por uma certa comodidade,
por estar perto das lojas,
do Mc Donald’s. Outros, preferem
morar no Geisel, que está
perto da Unesp, mas longe
de muitas outras coisas. Lá
também é complicado pegar
ônibus”, salienta.
O transporte, aliás, é outro
aspecto relevante para o
estudante na hora de escolher
um bairro para montar a
república. Por
esse motivo, a
grande maioria
dos universitários
acaba se
alojando nas
proximidades
da avenida Nações
Unidas, onde
a carona ou
o ônibus para a
faculdade são
garantidos.
“Se nos afastarmos da avenida
Nações Unidas, começa
a complicar pela questão do
transporte. Se ficasse muito
longe, teríamos de pegar um
ônibus até o Centro para depois
pegar outro
até a faculdade.
Para o aluno, fica
complicado
financeiramente.
Não dá para
gastar mais com
essas coisas”, reforça
Caio.
Outro aspecto
importante do
Centro, na opinião
do estudante
de arquitetura, é a possibilidade
maior de fazer festas nas
repúblicas. Por ser um bairro
predominantemente comercial,
os problemas com vizinhos
não são tão grandes quanto
em bairros residenciais.
Na república de Caio, a “tática”
funcionou durante um
ano. Nesse período, os rapazes
não receberam reclamações.
“Nunca tivemos problemas
com os vizinhos. No ano
passado, estávamos dando
muitas festas e os eles sempre
compreendiam. Só que agora
começou a complicar e tivemos
de dar uma cortada nas
festas”, diz.
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Vizinhança
Enquanto comerciantes gostam da
concentração de universitários em seus
bairros, a vizinhança que mora perto de
repúblicas muitas vezes reclama.
É o caso de uma moradora do Jardim
Higienópolis que não quis se identificar.
“Eu não lido com isso (repúblicas).
Eu suporto. Porque acontece de tudo -
festa a noite inteira até às 5h ou 6h da
manhã; barulho com algazarra; música
alta, etc. Eles são descomprometidos
e só têm o problema de estudar”, diz.
Quando o barulho é excessivo, a
moradora afirma que se vê obrigada
a fechar portas e janelas para tentar
abafar o som.
“Não vou dizer que eles perturbam
todo o tempo. Mas tem momentos
em que eles perturbam. A música
deles é muito alta e às vezes dura a tarde
inteirinha. Às vezes, tem ensaio de
banda. Eu preciso fechar a casa ou sair
de casa”, agrava.
Outra moradora do bairro que também
não quis se identificar concorda.
“Tem umas repúblicas por aí que realmente
são difíceis. Eles fazem barulho,
fazem muitas festas. E não fazem numa
sexta-feira. Fazem no meio da semana.
Fica difícil”, frisa.