Iludem-se cabalmente os que pensam que residem, no fabuloso universo de insetos, somente formigas, baratas, aranhas, pernilongos, cigarras, libélulas e alguns outros que, de vez em quando, arrastam-se ou voam destemidamente em torno do pescoço e da cabeça da gente, inclusive este Aedes aegypti, contra o qual há uma campanha intensa, porque - afirmam os etmologistas - até a morte provocam nas vítimas de suas peçonhentas picadas. Inegavelmente, não é somente essa malta de perversos que infesta a enorme terra que pisamos. Os homens preocupam-se unicamente com essas espécies e ignoram que estão ameaçados por inúmeras outras, muito mais graves e ferozes, iniciadas há cerca de 300 milhões de anos, sem exagero, e, a partir de então, produzindo uma proliferação múltipla, razão pela qual são hoje cerca de 1 milhão de tipos, subsidiados entre insetos benéficos e nocivos à espécie humana e a outras.
Ignoram as pessoas que a bela e colorida borboleta possa constituir ameaça ao homem, protegido por tantos tipos de defesa. Realmente não o faz, pois, ao contrário, ajuda o homem a viver, facilitando a reprodução de flores, frutas e outros alimentos. Mas o que fazem os outros é ameaçar a própria existência dos seres, havendo os que se parecem com minúsculos dragões ou dão a impressão de que são cobras e até pequenos elefantes, girafas e bovinos, rastejando ou nadando onde quer que desejem. Nem todos já tiveram vontade de analisar a vida desses animais, mas o nome de inseto, que significa subdividir, aponta uma característica fundamental do grupo: o corpo subdividido em 20 segmentos distribuídos por três regiões: cabeça, tronco e abdôme. Quase todos possuem um par de olhos compostos, relativamente grandes e situados no dorso lateral da cabeça, no que trazem ainda antenas e sobre elas os órgãos olfativos e gustativos. O tórax é o centro de locomoção, articulado com a cabeça através de uma espécie de pescoço. Curioso é que alguns deles não ouvem e outros possuem ouvidos nas pernas ou abdômes.
Inferem-se daí as suas diferenças com os seres humanos, suficientes para que atentem contra a vida deles, pois de suas complexidades tudo se pode esperar, eis que povoando a terra, o ar e a água, infiltram-se por toda parte, inclusive explorando quase a totalidade das fontes de gêneros alimentícios, com o que ameaçam até a sobrevivência da humanidade. Então pergunta-se objetivamente: o mundo é dos insetos ou do homem?
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado. “Que você não perca a razão, mesmo sabendo que as tentações da vida são inúmeras e deliciosas. Que você não perca a garra, mesmo sabendo que a derrota e a perda são dois adversários extremamente perigosos”.