A rua é larga, mal iluminada e com calçamento irregular. Mas não é só por isso que Maria Aparecida Caparroz Molina não gosta de passar pela quadra 7 da rua Constantino Castilho, no Jardim Chapadão. Foi lá que, há menos de três meses, seu filho Paulo Martimiano, 31 anos, foi atropelado e morreu sem ser socorrido. Ainda fragilizada, ela é a primeira a concordar com o tema “O trânsito é feito de pessoas. Valorize a vida”, utilizado neste ano durante a Semana Nacional do Trânsito, que começa amanhã.
Por meio das frases, definidas pelo Conselho Nacional do Trânsito (Contran) e que serão repetidas durante toda a programação do evento previsto para ser encerrado dia 30, as autoridades de Bauru pretendem reduzir a incidência de acidentes de trânsito na cidade e o percentual de vítimas fatais. Até ontem, 18 pessoas haviam perdido a vida nas ruas da município, entre elas Martimiano.
O número é o mesmo registrado pela Polícia Militar (PM) em todo o ano passado. Por causa do iminente aumento de casos, a PM está elaborando um levantamento detalhado para apurar as condições dos locais onde os registros fatais ocorreram.
“Em aproximadamente duas semanas devemos concluir o levantamento. O Paulo, por exemplo, caminhava na rua quando foi atropelado porque não havia calçada. Alguns acidentes são provocados por causa do abuso do motorista”, ressalta o comandante do Pelotão de Trânsito, tenente Fabiano de Almeida Serpa.
Independentemente das razões, essas ocorrências se tornaram um grave problema de saúde pública, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Em todo o País, o trânsito deixa anualmente 30 mil mortos e mais de 350 mil pessoas feridas, resultando num custo social anual superior a R$ 10 bilhões.
Em Bauru, as principais vítimas são ciclistas e motociclistas, alerta Serpa, para quem a frota de veículos da cidade está estimada em 140 mil. “Além de ter muito carro nas ruas, tem motorista dirigindo alcoolizado, sem respeitar nada. Temos que fazer qualquer coisa para evitar outros acidentes porque dói muito (perder um filho)”, diz Maria Aparecida ao demonstrar apoio à campanha.
Neste ano, o evento enfocará a utilização do farol baixo durante o período noturno, o uso do cinto de segurança no banco traseiro e o respeito à sinalização. “O cinto de segurança é obrigatório tanto para o motorista quanto para quem está no banco de trás. A multa (para quem cometer a infração) é grave”, informa Serpa.
Nesse caso, o condutor perde cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e tem de pagar multa de R$ 127,00. “É um tipo de autuação bastante aplicada. Já a do farol (baixo durante o período noturno) não temos aplicado tanto porque estamos trabalhando muito com a orientação. Muitos motoristas desconhecem a lei”, comenta o comandante do Pelotão de Trânsito.
De acordo com ele, a partir das 18h, não adianta apenas ligar a lanterna do veículo. O não-uso do farol baixo à noite pode resultar numa multa de R$ 80,00 e em quatro pontos na CNH. Já o desrespeito à sinalização, problema crônico em Bauru, pode levar o condutor a cometer uma infração leve ou até uma gravíssima, orienta Serpa.
Ele explica que, nos piores casos, a multa de R$ 191,53 pode ser multiplicada em até cinco vezes, quando motorista perde 7 pontos na carteira.