A arte erótica é tão antiga quanto o próprio conceito de arte, como atestam obras gregas, romanas, indianas e de diversas outras culturas que existem pelos museus do mundo. Sua importância na carreira de grandes artistas, entre eles Picasso e Miró, também é incontestável.
Apesar disso, o erotismo artístico muitas vezes é esquecido ou relegado a um segundo plano. “O preconceito ainda existe”, diz a pintora e professora de História da Arte, Estética e História do Design da Instituição de Ensino Superior de Bauru (IESB), Carmen Araújo, que expõe a partir de hoje no Templo Bar 32 trabalhos que tem o sexo como tema principal.
“Sempre quis fazer uma exposição de arte erótica”, revela. O desejo foi acentuado após um trabalho dado aos seus alunos. “Eles tiveram tanto trabalho para encontrar informações sobre o tema... Então voltei a pensar em produzir”. Segundo Carmen, no Brasil, ao contrário da Europa, não existem museus de arte erótica nem publicações sobre o assunto. “Mesmo a Internet tem poucos sites sobre arte erótica, há confusão com pornografia, o que não tem nada a ver”, alerta.
Lindamente coloridas, as aquarelas de Carmen se dividem entre trabalhos figurativos e abstratos que revelam detalhes de corpos e de situações do ato sexual. A técnica foi escolhida por ser aquela na qual a artista se sente mais à vontade e nem sempre deixa as obras óbvias aos olhos do observador, mesmo as figurativas. A pintora utilizou fotos como inspiração para alguns trabalhos e revela a existência de uma série de pequenos quadros “explícitos” entre os que compõem a mostra, que merece uma visita.
• Serviço
Exposição “Delta Z”. De hoje a 29 de setembro no Templo Bar. Rua Benjamin Constant, 1-34. Informações: (14) 3223-3493.