Cerca de 5 mil mudas de flores foram distribuídas ontem no Calçadão da Batista de Carvalho, em Bauru, para o lançamento da 4.ª Campanha da Primavera. A iniciativa é da Associação das Empresas do Calçadão (AEC) e da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e tem como principal objetivo apresentar à população as novas coleções primavera/verão que já chegam às vitrines.
“A intenção é atrair o consumidor para o Calçadão para que ele veja o que há de novo em confecções, calçados e produtos para esta nova estação, quando as lojas trocam suas cores, vem uma nova moda, novos estilos, padrões e tendênciasâ€, comenta o presidente da AEC, Francisco Alberto de Bernardis.
Ele estima que cerca de 50 mil pessoas tenham passado pelo Calçadão ontem. Os primeiros conseguiram levar um vaso para casa. Para isso, bastava entrar em uma das lojas do comércio central e retirar um cupom, gratuitamente. O desfile de bandas também animou a campanha.
A comerciária Nadir Alexandre garantiu a sua muda e elogiou a iniciativa. “Tudo que incentiva o público a vir para o Centro da cidade é ótimo. Eu vim apenas para pagar uma conta na loja e acabei vendo várias outras coisas interessantesâ€, comenta.
O volume de sacolas de compras nas mãos dos bauruenses que passavam pelo Calçadão ontem pela manhã não chegava a chamar a atenção, mas para quem acompanha esse movimento, a impressão é de que o consumo ganha novo fôlego.
Pelo menos essa é a tendência anunciada nos últimos dias. Em muitas cidades, aumentou a procura de inadimplentes pela negociação de dívidas. Segundo especialistas, isso indica que muita gente está tirando seu nome da lista do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) para voltar a comprar.
Crescimento
Bernardis confirma a tendência, mas com cautela. “A grande alavanca do crescimento econômico no País têm sido as exportações. Mas o crescimento interno também pode ser notado. Ele é pequeno, mas está se sustentando, que é o que realmente importaâ€, comemora.
Ele explica que, no ano passado, o comércio de Bauru manteve-se estagnado. Houve alguns picos de venda que chegaram a inspirar otimismo, mas eles não se mantinham no mês seguinte. “Este ano, as vendas estão crescendo. É pouco, bem pouco, mas é estável. Felizmente, está havendo uma percepção positiva das coisas. A nuvem negra que pairou sobre nós no ano passado parece estar indo emboraâ€, completa.
A cozinheira Silvana de Melo também pensa assim. “Antigamente era mais difícil comprar. Hoje as lojas fazem mais liquidação, tem novas lojas abrindo, os preços estão mais baixos. Eu vim aqui para passear, mas já estou observando os melhores preçosâ€, garante.
“Acho que pode até ser a euforia do décimo terceiro (salário). As pessoas podem estar antecipando seus gastosâ€, sugere o oficial de serviços de manutenção Adonias Ferreira.
Pendências
Para o presidente da CDL, Sérgio Motta, o crescimento ainda não é sentido por todos os lojistas, mas ele confirma que tem aumentado o número de pessoas que procuram seus credores para negociar dívidas. “As lojas têm liberado o pagamento de juros, parcelando o saldo principal, fazendo todo tipo de acordo para que a parcela fique dentro do orçamento dele, de modo que os atrasados possam ser pagosâ€, informa.
“Claro que isso aumenta a probabilidade de que ele volte a consumir e com uma maior conscientização, porque aqueles que tiveram o nome no SPC sabem o quanto isso dificulta a vida deles, sabem que o transtorno é muito grande, então, se planejam melhor para que isso não aconteça novamenteâ€, acrescenta.