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Lições eleitorais


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Como as estações do ano, toda eleição tem seu clima. Algumas apontam para maior conscientização do eleitorado. Outras indicam maior polarização entre determinadas candidaturas em função da temperatura ambiental. As eleições deste ano movimentam um exército de mais de 10 milhões de pessoas, considerando-se a mobilização de 30 pessoas, em média, por candidato. Este ano, as campanhas municipais, que se desenvolvem sob o signo da estrela petista desfralda alguns movimentos.

1. Racional - Um sentido mais crítico e racional impregna o sistema de percepção e decisão dos eleitores. Observa-se maior atenção aos valores encarnados pelos candidatos, estabelecendo-se, em conseqüência, comparação entre perfis e avaliação acurada de idéias e propostas.

2. Quem fizer 20% dos votos é o vitorioso - As campanhas políticas dos últimos anos apontam para certo equilíbrio entre partidos. Quatro grandes partidos - PFL, PMDB, PT e PSDB - têm dividido as margens eleitorais, garantindo entre 13% a 15% dos votos do eleitorado brasileiro.

3. Marketing exacerbado - O marketing político tem avançado no País, desde os tempos em que Fernando Collor inaugurou a fase do marketing governamental exacerbado.

4. Onda vermelha no sertão - O PT tem sido, historicamente, um partido urbano e, mais isso, estruturado nas camadas mais exigentes da sociedade organizada. Nesta eleição, o partido alça vôo em direção ao interiorzão do País.

5. Um pássaro na mão contra dois voando a A esperança que venceu o medo - bordão da campanha vitoriosa de Lula - agora é objeto de crítica. O eleitor percebeu que o céu prometido ainda não abriu as portas para abrigar sua felicidade.

6. Santo de casa não faz o milagre - Esta campanha sepulta a idéia de que basta uma celebridade aparecer pedindo votos para o candidato crescer nas pesquisas. Ou seja, os pacotes de falas encomendadas a figuras de realce na política não estão alcançando a força com que determinados candidatos contavam. Também fica consagrado nesta campanha o ditado “santo de casa não faz milagre”.

7. Os horizontes de 2006 - Constrói-se, na eleição deste ano, a base para abrir a jornada de 2006. Não há nenhuma dúvida. Quem fizer a maior bacia de prefeitos do País e agregar os maiores conjuntos eleitorais, estará aplainando os primeiros caminhos para a campanha para governador e presidente da República.

8. Marketing pós-eleitoral - Muitos candidatos à reeleição se surpreenderam com a baixa aceitação de seus nomes. Imaginavam que pelo simples fato de postularem novo mandato, seriam aceitos pelos eleitores.

9. Reforma Política - A campanha deste ano continuou a mostrar as mazelas da política: as alianças feitas por conveniência de momento; muitos recursos para uns e poucos para outros candidatos e partidos; programas eleitorais adoçados com o caldo do auto-elogio; meios de comunicação impedidos de fazer uma cobertura mais adequada; partidos amorfos, sem doutrina e sem engajamento dos participantes.

10. Sociedade organizada - Grupos de interesse se juntam em torno de entidades. A mobilização social se faz sentir pela multiplicação dos organismos de representação vertical (classes sociais) e horizontal (espaços geográficos). (O autor, Gaudêncio Torquato, é jornalista, professor titular da USP)

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