Conhecer melhor a ocorrência da rotavirose no País para adotar medidas de prevenção e controle mais efetivas contra a doença. Este é o objetivo do projeto “Vigilância epidemiológica das gastroenterites por rotavírus no Brasil: determinação do impacto da doença”, desenvolvido pelo Ministério da Saúde.
Considerada uma das causas mais comuns de diarréia grave na infância, a infecção por rotavírus é responsável por cerca de 20% das mortes causadas por doenças diarréicas e por 5% do total de óbitos ocorridos em crianças com menos de 5 anos, segundo o ministério.
Apesar de os primeiros casos de rotavírus terem sido descobertos em 1976 no Brasil, a doença continua sendo um problema de saúde pública, com surtos em diversas regiões do País. Um dos casos mais recentes é o do município de Campinas (SP), que registrou mais de 600 casos entre o mês de agosto e a primeira semana deste mês. E isso só na rede pública de saúde, sem contar os casos atendidos em hospitais particulares.
De acordo com o coordenador de Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), Eduardo Hage Carmo, para ampliar conhecimento sobre a doença, governo está capacitando profissionais de saúde em várias
regiões para fazer um mapeamento mais detalhado dos casos registrados no Brasil.
As ações de vigilância epidemiológica estão sendo implementadas em municípios-piloto pelo menos um Estado em cada região). Nesses municípios, crianças menores de anos atendidas com diarréia na rede pública terão amostras de fezes coletadas para identificação dos micróbios que causam distúrbio.
Segundo o ministério, as amostras que resultarem positivas para rotavírus serão submetidas a exames mais específicos. O objetivo é determinar quais são os subtipos mais prevalentes do rotavírus no Brasil e em qual época do ano eles se manifestam mais.
As informações obtidas pelo projeto deverão subsidiar novas estratégias do governopara prevenir e tratar a doença. O ministério já estuda, por exemplo, a possibilidade de incluir a vacina contra o rotavírus no calendário oficial de imunizações gratuitas a partir ano que vem.
“O Ministério da Saúde encomendou um estudo de custo/ efetividade sobre cinco vacinas para, a partir do resultado, selecionar uma que será introduzida calendário de vacinação brasileiro”, informa a coordenadora geral do Programa Nacional Imunizações (PNI), Maria de Lourdes Maia. A dose contra o rotavírus é uma delas, disputando com as vacinas contra pneumococos, meningococos, hepatite A e varicela (catapora).
A doença
Descoberto em 1973 pela equipe do estudioso Bishop, o rotavírus recebeu esse nome por ter formato circular. Sua transmissão dá-se de diferentes maneiras.
O vírus é eliminado em grande quantidade nas fezes de pacientes infectados e propaga-se por meio das micropartículas que ficam nas mãos, água, alimentos ou objetos contaminados. Segundo o ministério, estima-se que, para cada mililitro de fezes, existam um trilhão de rotavírus.
O período de incubação do vírus varia de um a três dias. Os principais sintomas são vômitos, febre e diarréia líquida constante. Se não forem tratados rapidamente, eles podem levar a umquadro grave de desidratação, capaz de matar uma criança em poucas horas.
Apesar de ser mais comum em crianças, o rotavírus também pode atingir adultos, principalmente mães, funcionários de berçários e creches e profissionais de saúde que convivem com pessoas contaminadas. Sua transmissão é mais comum em locais fechados e em regiões onde as condições de saneamento são precárias ou inexistentes. Lavar as mãos, beber água filtrada ou fervida e higienizar bem os alimentos ingeridos crus são as principais dicas.