Com uma atuação discreta, porém constante, os tucanos paulistas estão construindo pacientemente a candidatura do governador Geraldo Alckmin à Presidência da República em 2006. Embora o assunto pontual do momento seja a eleição municipal, lideranças do PSDB paulista já assumem que Alckmin é o nome natural do partido no ‘vôo tucano’ em direção à reconquista do Palácio do Planalto.
É o que pensa o presidente da executiva estadual do PSDB, deputado federal Antônio Carlos Pannunzio. Ontem, ele cumpriu agenda em Bauru e cidades da região ao lado do secretário geral da legenda, Evandro Luiz Losacco, para avaliar a situação política de seu partido no cenário de disputa das eleições municipais de outubro.
Pannunzio acredita que o PSDB sairá fortalecido do pleito, o que vai reforçar o projeto político que tem como meta o retorno dos tucanos ao Palácio do Planalto a partir de 1 de janeiro de 2007. Leia os principais trechos da entrevista:
Jornal da Cidade - O PSDB tem pelo menos quatro nomes para a disputa da Presidência da República em 2006. Os governadores Geraldo Alckmin e Aécio Neves, o senador Tasso Jereissati e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Como o senhor avalia esse quadro?
Antônio Carlos Pannunzio - Veja, acho que tenho que ser bastante realista. Pensar em Fernando Henrique se apresentando para uma disputa à Presidência da República acho remoto, distante. Ele já foi presidente duas vezes. Não é o cenário mais provável. Pode até uma circunstância exigir isso dele, mas não é o mais provável. O Aécio Neves governa um Estado, Minas Gerais, que ainda não está organizado por conta da situação econômica e financeira. Quero lembrar que ele tem direito a mais um mandato e é jovem. O Tasso Jereissati tem agora, pela primeira vez, a experiência do Congresso Nacional. Se desponta como uma das boas lideranças do PSDB. Começa a ser combatido pelo PT, que não quer aceitar críticas. O Tasso tem um trabalho de médio prazo no Congresso. Restou, não no sentido de ser a última opção, uma análise da figura do governador Geraldo Alckmin. Ele já teve uma boa experiência no Congresso, no Executivo como prefeito e governador. Não tem mais direito a reeleição.
JC - Nesse cenário, o governador, então, seria o nome natural do PSDB à Presidência da República?
Pannunzio - Entendo que nesse panorama e, considerando, a perspectiva imensamente favorável da eleição de José Serra para prefeito de São Paulo - e ele se elegendo não deixará a prefeitura para disputar outros cargos -, nós caminharemos naturalmente para a candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência da República.
JC - Logicamente que esse projeto político dependerá muito da performance do PSDB nas eleições municipais de outubro. O partido deve sair fortalecido da disputa?
Pannunzio - O PSDB é, hoje, o partido que mais apresenta número de candidaturas próprias às prefeituras do Estado. Nós temos 416 candidaturas. O PT, na seqüência, tem 310. Já somos, hoje, o partido com o maior número de prefeito. São 254 prefeitos filiados ao PSDB. Não foram todos esses os eleitos. Na verdade, foram 177. É difícil prever quantos serão eleitos agora em outubro. Mas tenho a convicção de que vamos ter muito mais paulistas vivendo sob a administração do PSDB do que temos hoje. No Interior, temos boas perspectivas. Em Campinas, nosso candidato está disparado na frente. Em Ribeirão Preto nossa disputa é com o PMDB. Em Franca, nosso candidato é franco favorito. São José dos Campos e Sorocaba só vai dar PSDB. Em Bauru, temos uma disputa acirrada. Eu diria de árduo trabalho.
JC - O PSDB faz forte oposição ao governo Lula. Qual é a avaliação que o senhor faz desses dois primeiros anos do governo do PT?
Pannunzio - Minha avaliação não é de um cientista político, de alguém isento. É uma avaliação carregada de uma certa dose de parcialidade. Não poderia ser diferente. O governo Lula desaponta em todas as áreas. Nunca tive expectativa favorável. O discurso da história do PT, somando a isso o discurso eleitoral de 2002, foi cabalmente desmentido. Comprovou, na verdade, que o PT da retórica é um e o PT da prática, no governo, é outro completamente diferente. Na política econômica, eles estão dando seqüência à política praticada sob a direção do ministro Pedro Malan, do governo Fernando Henrique Cardoso, até com uma certa exacerbação. Há necessidade de demonstrar ao sistema financeiro internacional que não vão fazer aquilo que diziam que fariam. Por isso, exageram no ajuste fiscal, no superávit e na taxa de juros.