Jaú - A Câmara Municipal de Jaú (47 quilômetros a leste de Bauru) aprovou anteontem, por unanimidade, a abertura de uma Comissão Processante (CP) para investigar suposto abuso no exercício de prerrogativas por parte do vereador Ademar Pereira da Silva (PT), o Dema.
O pedido de investigação foi feito por um morador da cidade. Até mesmo o vereador que será investigado votou a favor da CP. Apenas a presidente da Câmara, Alzira de Fátima Voltolim (PMDB) não votou.
De acordo com o administrador do cemitério municipal, João Fernandes Coelho da Silva, que apresentou a denúncia, Dema teria tornado público declarações sigilosas feitas durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apurou denúncias de irregularidades na Associação dos Pais e Educadores dos Autistas.
Na avaliação do denunciante, com isso, o vereador teria “denegrido a imagem” de pessoas envolvidas com a entidade. No começo deste mês, a Câmara aprovou por 11 votos a cinco o arquivamento da denúncia. De acordo com o relatório final, teria ficado comprovado que não houve irregularidade no uso de dinheiro público pela associação.
“Ele (Dema) abusou da autoridade dele (enquanto presidente da CPI). Ele não poderia ter feito aquilo”, justificou Coelho, que anexou em sua denúncia fitas com gravações de programas de rádio e recortes de jornais com entrevistas do vereador falando sobre a CPI.
“(Nessas entrevistas) ele falava que havia irregularidades na Associação do Autistas e depois ficou provado que não houve malversação (má administração) de dinheiro público”, disse Coelho.
A denúncia do morador será agora apurada pelos vereadores João Carlos Coló (PTB), Nilton Coló (PTB) e José Antônio Cavalcanti (PSDB). Eles foram os escolhidos, por meio de sorteio, para fazer parte da CP. Respectivamente, ocuparão a função de presidente, relator e membro dentro da comissão, que terá 90 dias para concluir os trabalhos.
Dependendo dos resultados das investigações, Dema poderá até mesmo ser cassado pela Câmara. O vereador, que concorre à reeleição, não foi encontrado pela reportagem para comentar o assunto. Foi deixado recado no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados, onde está sempre presente, e na secretária eletrônica de seu telefone celular, mas até o fechamento desta edição Dema ainda não havia retornado as ligações.
Curiosamente, o mesmo morador já havia feito outra denúncia contra o petista. No entanto, Coelho nega que haja uma perseguição contra o vereador. Ele acusa Dema de enriquecimento ilícito, enquanto presidente do Sindicato dos Calçadistas. O caso está sendo investigado pela Delegacia Seccional de Polícia de Jaú.