Bairros

Primavera será quente, prevê IPMet

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

A primavera, que vai de hoje ao dia 21 de dezembro, terá temperaturas elevadas e maior ocorrência de chuvas, segundo tendência apresentada ontem pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru ontem.

A previsão é de que as temperaturas máximas na primavera - registradas por volta das 14h - sejam superiores à média do verão, que terá início em 22 de dezembro, explica a meteorologista do IPMet Lúcia Gularte. “As temperaturas máximas poderão ficar entre 30 e 40 graus durante à tarde. As mínimas podem ficam em torno de 17 graus e a média, em 23 graus”, diz.

A previsão poderá ser confirmada esta semana, segundo a meteorologista. A tendência para todo o Estado de São Paulo é de predomínio de sol até sexta-feira, com temperaturas em elevação e sem ocorrência de chuvas. Ontem à tarde, os termômetros do IPMet marcaram 34 graus. “Na primavera, os dias serão quentes e as noites mais amenas e agradáveis porque o solo se resfria muito rápido nesta época”, avisa.

Além disso, a previsão para os meses de outubro a dezembro é de aumento da umidade relativa do ar, atingindo a média de 60%, segundo Lúcia. No inverno, o menor índice de umidade do foi de 23%, o que provocou a sensação de ressecamento e outros problemas, como a maior incidência de choques eletroestáticos.

A meteorologista participou recentemente de uma reunião realizada no Centro de Previsão de Tempo e Clima, órgão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que analisou os sistemas climáticos referentes aos meses de junho a agosto deste ano, comparando-os com o mesmo período de 2003 para a obtenção de uma prévia do clima esperado para a primavera.

Chuvas intensas

A previsão do IPMet é de que a quantidade de chuvas para a primavera seja superior à registrada nos últimos cinco anos no período, cuja média foi de 155 milímetros. explica a meteorologista Lúcia. A média acumulada de precipitação para os próximos três meses será de 189 milímetros.

“A tendência é que ocorram chuvas acima do normal porque na primavera, a previsão é que as frentes frias entrem (no continente) com maior frequência”, diz Lúcia. “No inverno, ocorrem três ou quatro frentes frias por mês. Na primavera, a tendência é entrar cinco a seis frentes frias. Elas ficarão mais tempo estacionadas em nossa região, o que pode provocar chuvas rápidas de forte intensidade e podem vir acompanhadas de rajadas de vento, granizo ou trovoadas”, detalha a meteorologista.

Com isso, não está descartada a ocorrência de alagamentos em alguns pontos da cidade. Já em outubro de 2002, em plena primavera, a escassez de chuvas em Bauru provocou diminuição dos níveis de água e racionamento em alguns pontos da cidade. Em 2003, o quadro foi de normalidade na cidade.

A ocorrência de chuvas acima da média é provocada por dois sistemas metereológicos que atuam na região Sudeste durante a primavera. O primeiro é a Zona de Convergência do Atlântico Sul); influenciada por uma frente fria carregada de calor e umidade que permanece sobre o Estado e não migra para o Oceano. O segundo fenômeno é o Alto da Bolívia, que surge devido à troca de calor da Amazônia, esclarece Lúcia. “Esse sistema envia um ar quente, que se mistura com o ar frio das frentes frias, causando chuvas acima do normal”, diz.

Verão

Apesar de ainda não ter modelos de previsão de tempo para o verão, o IPMet destaca a possibilidade da estação ser influenciada pelo El Niño, fenômeno relacionado ao aquecimento das águas do mar. “A temperatura das águas do Oceano Pacífico estão apenas um grau acima do normal. Para caracterizar El Niño, a temperatura precisa atingir entre 3 e 5 graus”, diz.

“Com a primavera, a superfície do mar vai começar a aquecer e pode ser um indicativo, que só vai se confirmar a partir de dezembro”, diz. Em 1998, o El Niño provocou catástrofes, enchentes e desastres ecológicos em diversos países. Porém, o El Niño atinge apenas a região do Sul e Nordeste “O fenômeno provoca chuvas no Sul e seca no Nordeste. Mas a tendência é de normalidade para o Sudeste e demais regiões”, explica Lúcia.

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