Demorou muito, mas chegou. Em apenas uma sala (contra duas da bomba “Anaconda 2”), mas chegou. Finalmente o público de Bauru vai poder conferir o filme que, junto com o sanguinolento “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, gerou a maior polêmica do ano. “Fahrenheit 11 de Setembro”, de Michael Moore, começa a ser exibido hoje na cidade e, a julgar pela “estratégia” do exibidor local, que privilegia as grandes produções comerciais, não deve ficar mais do que uma semana, então corra para ver.
Com um título que faz referência ao clássico livro de Ray Bradbury, “Fahrenheit 451” (a temperatura na qual o papel se incendeia), sobre uma sociedade proibida de ler, o filme de Moore venceu o último Festival de Cannes (uma vitória polêmica por ser obviamente política) e se tornou o documentário mais visto de todos os tempos, além de ser o primeiro a ultrapassar a barreira de US$ 100 milhões de arrecadação nas bilheterias dos EUA.
Em suas duas horas, a fita ataca violentamente o presidente George W. Bush, que é mostrado como limitado, incompetente e desonesto para o cargo que ocupa. Daí tanta polêmica.
Não é de hoje que o diretor faz barulho com seus filmes. O último antes do que estréia hoje, “Tiros em Columbine”, partiu do trágico tiroteio na escola do Colorado para analisar a “necessidade” do americano em possuir (e usar) armas de fogo. Manipulador, mas cheio de dados impressionantes, além de coragem para jogar na cara das pessoas coisas que elas não querem ver, o filme deu o Oscar a Moore e o transformou numa celebridade internacional, principalmente depois do seu agradecimento na cerimônia da Academia, no qual criticou Bush por vencer uma eleição “fictícia” e invadir o Afeganistão e depois o Iraque, criando uma guerra “fictícia”.
“Fahrenheit...” segue a linha que Moore adotou em seus dois livros: “Stupid White Man: Uma Nação de Idiotas” e “Cara, Cadê Meu País”, editados no Brasil pela Francis e sucessos absolutos de vendas no mundo todo, nos quais o seu alvo principal é a administração Bush.
Assim, o filme aponta ligações da família do presidente americano com os Bin Laden sauditas - que teria permitido, inclusive, que eles fossem os únicos a sobrevoar os Estados Unidos nos dias seguintes aos atentados de setembro de 2001 -, as falhas de defesa no fatídico dia 11 e o interesse econômico por trás das invasões do Afeganistão e do Iraque.