De acordo com o titular
da Secretaria Municipal de
Agricultura e Abastecimento,
Seiko Tokuhara, o texto proposto
para regulamentação
das feiras livres está pronto,
mas ainda não teria sido enviado
à Câmara Municipal devido
a alguns pontos de divergência
com a Associação dos
Feirantes de Bauru.
O secretário falou ao JC
nos Bairros sobre as idéias
que ele tem para melhorar a
“cara” das feiras livres do município.
Confira a seguir trechos
da entrevista.
JC nos Bairros - A feira
livre de Bauru avançou nos
últimos anos?
Seiko Tokuhara - A feira-
livre de Bauru hoje, na minha
análise, tem melhorado
bastante. Nós temos espaço
cedido para horta familiar
em grande escala. Tem vários
produtores pequenos
que forneciam para pequenos
negócios e que não trabalhavam
na feira. Hoje, sim.
Conseguimos melhorar a
qualidade, os preços, a oferta.
Eu fui pessoalmente a produtores
fazer o convite e estimulá-
los a participar da feira.
Porque os feirantes tinham
dificuldade de competir
com grandes mercadistas.
É visível o nível de qualidade
das feiras livres hoje.
JC - Quais são os planos
da Secretaria Municipal de
Agricultura e Abastecimento
para as feiras livres?
Tokuhara - Estou convidando
famílias japonesas para
implantar a venda de yakisoba
na feira. Estou querendo
modificar um pouco a cara da
feira. Hoje, a venda de yakisoba
existe em feiras de São Paulo,
Campo Grande, Maringá e
Campinas. Seria um atrativo a
mais para as de Bauru.
JC - E quanto à questão
estrutural da feira?
Tokuhara - Estávamos
com projeto de padronizar as
bancas. Não toquei à frente
porque a dificuldade que os
feirantes têm hoje é muito
grande em relação a valores.
Descartei a possibilidade para
esse ano. Talvez o futuro secretário
poderá adotar esses temas,
buscando patrocinadores
e parceiros. A padronização
de bancas já existe em algumas
cidades.
Na semana retrasada,
fui a Maringá, na feira
do produtor, e vi coisas que
não acontecem em Bauru. Lá,
os próprios feirantes limpam
o local. E, para mantê-lo limpo
no horário de feira, cada
banca tem um cesto de lixo.
Vou pedir para os feirantes
providenciarem isso também.
Meu projeto é buscar parcerias
e também envolver o Sebrae
(Serviço Brasileiro de
Apoio às Micro e Pequenas
Empresas) nesse esquema.
JC - Por que a padronização
seria importante?
Tokuhara - Hoje, a nossa
feira é a mesma feira do início.
Está com a mesma cara
dos últimos 50 anos. Não teve
modificação nem padronização.
Ainda é comum ver os
feirantes montando as barracas
com caixas, em vez de cavaletes.
Se inovarmos, a feira
vai ter uma nova cara e vai
atrair a clientela.
JC - E quanto à regulamentação
da feira livre?
Tokuhara - Estou montando
a regulamentação para a
feira e não mandei para a Câmara
porque eu gostaria de
ver todas as bancas com sistema
de cavalete e não caixas.
Mas a regulamentação já está
nas mãos do presidente da Associação
dos Feirantes de
Bauru para análise. Eles alegam
que, com a regulamentação,
eles só teriam obrigações
a cumprir. Eles sugerem
modificações. Eu deixei para
que eles me passassem as alterações.
JC - Quais são os pontos
em que há divergências?
Tokuhara - São questões
de uniforme, de horários, de
bancas. Não podemos estourar
o horário devido ao fluxo
de veículos, para não atrapalhar
o trânsito. Além disso, temos
de respeitar a lei do silêncio.
Por isso temos de estabelecer
horário para início de
montagem e encerramento.
Eu recebo várias reclamações
de trânsito. Principalmente referentes
às ruas Manoel Bento
Cruz, Floriano Peixoto e
Virgílio Malta. As pessoas
que moram ao redor da feira
reclamam. O que a gente pede
é paciência porque é uma
classe de trabalhadores que
não pode ser marginalizada.
Esta questão é difícil de solucionar.
Se a gente remanejasse
a feira de um local para outro,
o transtorno seria grande.
Eu não vou conseguir solucionar
esse problema porque
a feira tem de ser montada na
rua. Posso solucionar para
um, mas levar transtorno para
outro.
JC - O que o senhor acha
da idéia de alguns feirantes
de transferir as feiras para
áreas institucionais, tirandoas
das ruas?
Tokuhara - Eu tenho
área, mas os feirantes não querem.
Eu poderia levar algumas
feiras para o Sambódromo
porque a prefeitura não pode
desapropriar uma área no
Centro para isso. Não tem lógica.
O que a gente espera é
que, se forem construídos novos
núcleos habitacionais,
que deixem área livre para feira.
Isso eu venho pedindo há
muitos anos.
JC - E o problema da falta
de sanitários?
Tokuhara - Fiz um teste
com uma empresa que explora
sanitário ambulante. Mas
eu tenho dificuldade de implantar
sanitário em via pública.
O problema é o alto custo.
Eu não tenho como bancar
porque a secretaria já banca
nove fiscais. O feirante não
paga nem uso do solo porque
nós não cobramos. Mas a associação
contribui com produtos
de limpeza para bares e
lanchonetes e os comerciantes
deixam o feirante usar o
sanitário.
JC - A secretaria recebe
muitas reclamações referentes
a feiras livres?
Tokuhara - Recebo abaixo-
assinados, ligações, etc. E
vamos tentando melhorar.
Por exemplo, tive de determinar
que a feira da rua Virgílio
Malta não abrirá espaço para
novos feirantes para evitar a
ocupação de mais uma quadra.
Estamos distribuindo os
novos feirantes em feiras de
bairros para não haver crescimento
no Centro da cidade, o
que dificultaria o trânsito. A
mesma coisa aconteceu com a
feira de terças-feiras na rua
Manoel Bento Cruz e com a
de quartas-feiras na rua Floriano
Peixoto.
A quantidade de
bancas é limitada. Apenas fazemos
reposições - se sai um,
entra outro. E repomos com
certo cuidado. Estamos tentando
balancear, controlando a
variedade de produtos por feira
- folhagens, leguminosos,
frutas, roupas, artesanato, etc.
Se alguém pede vaga em alguma
feira, analisamos. Dependendo
do tipo de produto, podemos
indicar e abrir espaço
em outra feira. Por exemplo,
na Vila Industrial não havia
banca de pescado. Hoje tem.