Bairros

Secretário aguarda propostas

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 5 min

mas ainda não teria sido enviado

à Câmara Municipal devido

a alguns pontos de divergência

com a Associação dos

Feirantes de Bauru.

O secretário falou ao JC

nos Bairros sobre as idéias

que ele tem para melhorar a

“cara” das feiras livres do município.

Confira a seguir trechos

da entrevista.

JC nos Bairros - A feira

livre de Bauru avançou nos

últimos anos?

Seiko Tokuhara - A feira-

livre de Bauru hoje, na minha

análise, tem melhorado

bastante. Nós temos espaço

cedido para horta familiar

em grande escala. Tem vários

produtores pequenos

que forneciam para pequenos

negócios e que não trabalhavam

na feira. Hoje, sim.

Conseguimos melhorar a

qualidade, os preços, a oferta.

Eu fui pessoalmente a produtores

fazer o convite e estimulá-

los a participar da feira.

Porque os feirantes tinham

dificuldade de competir

com grandes mercadistas.

É visível o nível de qualidade

das feiras livres hoje.

JC - Quais são os planos

da Secretaria Municipal de

Agricultura e Abastecimento

para as feiras livres?

Tokuhara - Estou convidando

famílias japonesas para

implantar a venda de yakisoba

na feira. Estou querendo

modificar um pouco a cara da

feira. Hoje, a venda de yakisoba

existe em feiras de São Paulo,

Campo Grande, Maringá e

Campinas. Seria um atrativo a

mais para as de Bauru.

JC - E quanto à questão

estrutural da feira?

Tokuhara - Estávamos

com projeto de padronizar as

bancas. Não toquei à frente

porque a dificuldade que os

feirantes têm hoje é muito

grande em relação a valores.

Descartei a possibilidade para

esse ano. Talvez o futuro secretário

poderá adotar esses temas,

buscando patrocinadores

e parceiros. A padronização

de bancas já existe em algumas

cidades.

Na semana retrasada,

fui a Maringá, na feira

do produtor, e vi coisas que

não acontecem em Bauru. Lá,

os próprios feirantes limpam

o local. E, para mantê-lo limpo

no horário de feira, cada

banca tem um cesto de lixo.

Vou pedir para os feirantes

providenciarem isso também.

Meu projeto é buscar parcerias

e também envolver o Sebrae

(Serviço Brasileiro de

Apoio às Micro e Pequenas

Empresas) nesse esquema.

JC - Por que a padronização

seria importante?

Tokuhara - Hoje, a nossa

feira é a mesma feira do início.

Está com a mesma cara

dos últimos 50 anos. Não teve

modificação nem padronização.

Ainda é comum ver os

feirantes montando as barracas

com caixas, em vez de cavaletes.

Se inovarmos, a feira

vai ter uma nova cara e vai

atrair a clientela.

JC - E quanto à regulamentação

da feira livre?

Tokuhara - Estou montando

a regulamentação para a

feira e não mandei para a Câmara

porque eu gostaria de

ver todas as bancas com sistema

de cavalete e não caixas.

Mas a regulamentação já está

nas mãos do presidente da Associação

dos Feirantes de

Bauru para análise. Eles alegam

que, com a regulamentação,

eles só teriam obrigações

a cumprir. Eles sugerem

modificações. Eu deixei para

que eles me passassem as alterações.

JC - Quais são os pontos

em que há divergências?

Tokuhara - São questões

de uniforme, de horários, de

bancas. Não podemos estourar

o horário devido ao fluxo

de veículos, para não atrapalhar

o trânsito. Além disso, temos

de respeitar a lei do silêncio.

Por isso temos de estabelecer

horário para início de

montagem e encerramento.

Eu recebo várias reclamações

de trânsito. Principalmente referentes

às ruas Manoel Bento

Cruz, Floriano Peixoto e

Virgílio Malta. As pessoas

que moram ao redor da feira

reclamam. O que a gente pede

é paciência porque é uma

classe de trabalhadores que

não pode ser marginalizada.

Esta questão é difícil de solucionar.

Se a gente remanejasse

a feira de um local para outro,

o transtorno seria grande.

Eu não vou conseguir solucionar

esse problema porque

a feira tem de ser montada na

rua. Posso solucionar para

um, mas levar transtorno para

outro.

JC - O que o senhor acha

da idéia de alguns feirantes

de transferir as feiras para

áreas institucionais, tirandoas

das ruas?

Tokuhara - Eu tenho

área, mas os feirantes não querem.

Eu poderia levar algumas

feiras para o Sambódromo

porque a prefeitura não pode

desapropriar uma área no

Centro para isso. Não tem lógica.

O que a gente espera é

que, se forem construídos novos

núcleos habitacionais,

que deixem área livre para feira.

Isso eu venho pedindo há

muitos anos.

JC - E o problema da falta

de sanitários?

Tokuhara - Fiz um teste

com uma empresa que explora

sanitário ambulante. Mas

eu tenho dificuldade de implantar

sanitário em via pública.

O problema é o alto custo.

Eu não tenho como bancar

porque a secretaria já banca

nove fiscais. O feirante não

paga nem uso do solo porque

nós não cobramos. Mas a associação

contribui com produtos

de limpeza para bares e

lanchonetes e os comerciantes

deixam o feirante usar o

sanitário.

JC - A secretaria recebe

muitas reclamações referentes

a feiras livres?

Tokuhara - Recebo abaixo-

assinados, ligações, etc. E

vamos tentando melhorar.

Por exemplo, tive de determinar

que a feira da rua Virgílio

Malta não abrirá espaço para

novos feirantes para evitar a

ocupação de mais uma quadra.

Estamos distribuindo os

novos feirantes em feiras de

bairros para não haver crescimento

no Centro da cidade, o

que dificultaria o trânsito. A

mesma coisa aconteceu com a

feira de terças-feiras na rua

Manoel Bento Cruz e com a

de quartas-feiras na rua Floriano

Peixoto.

A quantidade de

bancas é limitada. Apenas fazemos

reposições - se sai um,

entra outro. E repomos com

certo cuidado. Estamos tentando

balancear, controlando a

variedade de produtos por feira

- folhagens, leguminosos,

frutas, roupas, artesanato, etc.

Se alguém pede vaga em alguma

feira, analisamos. Dependendo

do tipo de produto, podemos

indicar e abrir espaço

em outra feira. Por exemplo,

na Vila Industrial não havia

banca de pescado. Hoje tem.

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