Um fantasma ronda o país. Ele surgiu como revolta dos oprimidos, mas hoje resume-se na acumulação de poder através de meios de opressão diversos. Cidadãos livres são prisioneiros do próprios medos. Os direitos inalienáveis foram extintos. Não há respeito pelas liberdades individuais de seres rebaixados ao expetáculo do primeiro mundo. Respeitável público, somos a piada do hemisfério norte: estamos sob o comando dos marginalizados. Não, não me refiro ao crime organizado. Falo sobre as autoridades governamentais. Estes sim estão à margem dos acontecimentos. São os verdadeiros marginalizados. Não é de se espantar a falta de credibilidade da população no governo. Fomos alimentados pelo clichê de que “brasileiro não gosta de política” a ponto de acreditar que existe política. No entanto, nada somos além de protótipo de democracia. Simples sucessão de direita e esquerda. A mesma demagogia barata de sempre.
Todavia, o mais frustante é saber que a voz do povo é a voz da oposição. Dias após as eleições, eis que esta coloca toda uma nação contra o próprio representante que acabara de escolher. Não há sucessão de governos: repete-se sempre o mesmo espetáculo, onde a mídia da oposição induz a revolta contra ao atual governo, demonstrando toda a confiança que possui no povo através da iconoclastia da pátria. Deste modo, somos condicionados a simplesmente ser contra, não importa o porquê. Lá está um governo para governar por nós. Eleger já é uma obrigação, o povo não quer assumir outras responsabilidades. Afinal, lá está uma oposição para criticar por nós. Apenas sente e aproveite o espetáculo.
Enquanto submissos às idéias pré-fabricadas, o futuro parece ser tão obscuro quanto o presente. Contudo, o brasileiro não é um povo pacífico. É o que eles querem que você pense. A inconformação é o primeiro passo para desmascarar a nossa ditadura em pele de democracia. Do contrário, sob o comando de autoridades marginalizadas, somos também marginalizados. A falta de credibilidade no governo é justificável, desde que não baseada em conceitos alienados. Antes de tudo, é preciso que cada cidadão confie em si mesmo.
Eduardo Cruz Moraes - RG 34.196.903-5 - estudante