Circular a pé ou de carro pelo Centro da cidade já não é tarefa fácil na rotina diária de um cidadão bauruense. A situação se complicou nesta reta final das campanhas eleitorais, que ganharam força nos últimos dias. Há cerca de pouco mais de duas semanas, a apatia em relação ao clima eleitoral era visível até mesmo por parte dos candidatos a prefeito, com raras exceções.
A impressão que se tinha era de que Bauru não estava na reta final para eleger aquele que vai ocupar o cargo mais importante da cidade. Poucos cabos eleitorais nas ruas apoiados por alguns carros de som circulando pelo Centro da cidade. Clara referência de que o dinheiro está curto.
Mas nos últimos dez dias, a situação se inverteu. As principais esquinas do Centro da cidade e dos bairros mais populosos estão sendo disputados a dedos pela “tropa de choque eleitoral”. A ordem é distribuir material de propaganda e, de quebra, convencer o eleitor de que seu candidato é o melhor para comandar Bauru pelos próximos anos.
Por um salário de R$ 20,00 por dia, os cabos eleitorais disputam cada transeunte que ousa cruzar as esquinas da cidade. Abordam, conversam e sufocam as pessoas que, num trajeto de pouco mais de duas quadras, pode levar para casa ou para os bueiros dezenas e dezenas de santinhos. Finalmente a eleição mostra a sua cara.
Estilos diferentes
Embora o objetivo seja o mesmo, cada candidato a prefeito adotou estilos diferenciados nesta reta final de campanha. Clodoaldo Gazzetta (PV) não alterou sua rotina.
“Estamos mantendo o mesmo ritmo de campanha. Armamos a barraca verde nos bairros e esperamos que a comunidade venha conversar com a gente”, relata.
Os verdes estão distribuindo muda de ipê branco para quem se aconchega na barraca. “O ipê branco simboliza a paz. E no caso específico queremos a paz na política”, prega.
Também no mesmo clima de início de campanha encontra-se o candidato Sandro Fernandes (PSTU). Advogado, ele diz que tem que conciliar sua vida profissional com a militância política. “Nesta reta final, a campanha não está tão intensa como se imagina”, avalia. “Hoje (ontem) tive audiências no Fórum”, completa.
Mas não é o que está ocorrendo com Estela Almagro (PT). “Convocamos a militância petista para invadir as ruas. Nossa abordagem é diferente. Não basta apenas distribuir santinho, é preciso conversar com o eleitor”, diz o vereador José Carlos Batata (PT), um dos coordenadores da campanha.
Liberado da tensão da TV, o candidato Caio Coube (PSDB) assume que está nas ruas da cidade fazendo corpo a corpo com o eleitorado. “Aumentamos as caminhadas pelos bairros”, conta. “Mas já faz quatro semanas que estamos investindo pesado nas ruas”, completa.
Seu principal adversário, Tuga Angerami (PDT), também aumentou a presença externa. “Estamos buscando o voto dos indecisos”, explica o vereador Edmundo Albuqerque (sem partido), um dos coordenadores da campanha tuguista. “Agora é direto no corpo a corpo”, comenta.
Já a equipe de coordenação do candidato Antonio Sérgio Marsola (PPS) decidiu adotar o equema “5 S”. “É passar simpatia, gastar sola de sapato e saliva, distribuir santinhos e e muita saúde para agüentar a indústria da pesquisa”, diz, em tom de ironia, Rubens de Souza, coordenador da campanha.
O candidato Luiz Carlos Valle (PSB) mantém o ritmo inicial de campanha até ontem, mas vai se preparar hoje e amanhã para o debate organizado por uma emissora de TV local, que será realizado nesta quinta-feira.
A candidata Maria Cristina Romão (PCO) não foi localizada para comentar o assunto.