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O professor é herói


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Nada melhor que o Dia do Professores para algumas ponderações. Não consigo imaginar nada pior nos dias de hoje que a ignorância, a ausência de conhecimento.

E qual pode ser a causa? Ao que tudo indica é a deficiência na arte do ensino do conhecimento. Ser professor é exercer um sacerdócio. Um bom professor tem que amar a arte com paixão e ardor, fazer da profissão o ideal de sua vida, ver nos alunos não uma carga, mas um abismo que precisa ser preenchido com o saber.

A escola é a segunda família. Os professores nossos segundos pais, nossos exemplos adultos. As crianças convivem mais com professores do que com os próprios pais.

O triste é a impotência, enquanto governos salvam banqueiros e usineiros amigos do rei, o ensino piora. O relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, divulgado recentemente, aponta que o Brasil piorou no item educação e ocupa o 93º lugar em grau de alfabetização. Ou seja, nada mais que 92 países, de um total de 175, estão em situação melhor que a nossa. Enquanto isso, segundo a ANDIFES, 56% dos alunos do ensino superior provêm das classes mais ricas e, apenas, 3% é da classe mais pobre.

Posso ver que os tempos atuais exigem um novo tipo de profissional professor. O jovem não tem perspectiva frente ao desemprego, salários baixos, mudança tecnológica extremamente rápida, liberdade excessiva, impunidade (reprovar um aluno é quase impossível), uma verdadeira crise social, jamais vista.

Cabe ao professor criar no jovem uma consciência existencial, para que ele se situe na família, sociedade, ensino e trabalho. O constante desenvolvimento tecnológico exige um profissional que tenha grande interesse em se reciclar. Cabe ao professor fazer o aluno aprender a aprender, como já queria Descarte.

Quem se propõe ao ensino, deve sê-lo na íntegra. Fico horrorizado ao saber de professores que não ensinam os chamados “segredos” da profissão. Ora, se for professor que o seja de verdade.

A solução do problema educacional não deve ser institucional ou governamental mas da cidadania. Todos devem participar da discussão. Cabe ao professor a árdua tarefa de criar cidadãos conscientes da necessidade de um bom ensino e a todos nós a consciência de que sem escola e educação estaremos condenados a viver em um mundo-cão regido pela violência e o desrespeito à dignidade humana.

O autor, Mário Eugênio Saturno, é professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva

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